Você também usa luvas para evitar escaras?

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No fim da faculdade, ouvi falar sobre um método de fisioterapia respiratória, o RTA, e achei interessante. Anos depois, fiz o curso. Já na parte teórica, um certo choque! A fisioterapeuta que desenvolveu o método questionava muito do que havíamos aprendido na faculdade. Não descartava tudo, mas mostrava outras formas de tratamento (que faziam muito sentido!). A sensação de rever todos os conceitos que já tínhamos como tão certos era estranha, um misto de empolgação pelo novo aprendizado e de insegurança pela rápida mudança.

Essa semana, passei por uma sensação parecida. Li o post Mitos e Lendas da Fisioterapia – Uso de luvas com água na prevenção de Úlceras de Pressão, no blog O Guia do Fisioterapeuta e, ops, mais de 10 anos de luvas usadas sem necessidade??

A luva cheia de água é comumente usada para diminuir a pressão de algumas partes do corpo quando o paciente está acamado ou passa várias horas na mesma posição. Acreditava-se que, colocando-a sob cotovelo, punho ou calcanhar*, ajudaria a evitar a formação de úlceras de pressão (também chamadas de úlceras de decúbito ou escaras, feridas causadas pela pressão constante). O texto do fisioterapeuta Humberto, porém, mostra uma pesquisa que comprovou que a pressão do calcanhar sobre uma luva com água é maior do que sobre o colchão.

O que fazer, então, para prevenir a escara? A melhor prevenção continua sendo a mudança de decúbito: trocar a posição do paciente a cada duas horas, variando entre deitado de barriga para cima (decúbito dorsal), para os lados (decúbito lateral), barriga para baixo (decúbito ventral) e sentado, de acordo com as possibilidades do paciente. Outros cuidados importantes estão descritos no texto Recomendações para Prevenção de Úlcera por Pressão, escrito pela Profa. Dra Maria Helena Larcher Caliri, da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

*Vale lembrar que estes não são os únicos pontos em que escaras podem se desenvolver. São apenas os que são, com mais frequência, “protegidos” com a luva. Outros pontos comuns são a lateral da coxa, nádegas e ombros.

Autor: Renata Pinheiro

Fisioterapeuta formada há 12 anos, com atuação principal nas áreas de pediatria e geriatria. Atualmente afastada da prática da profissão, porém mantendo a proximidade com o universo da saúde através do blog.

One Comment

  1. Muito interessante! Aliás, para mim, supreendente!

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