Viver a Vida e a Fisioterapia
Li em um blog – que tentei encontrar agora mas não consegui – que fisioterapeutas não estão gostando da forma como a profissão está sendo retratada em Viver a Vida. Na novela, a fisioterapeuta faz o tratamento de acordo com o plano definido pelo fisiatra, sem autonomia para examinar e decidir o que considera mais correto.
Não acompanhei os capítulos em que isso aconteceu, e realmente espero que não tenha sido assim. O fisioterapeuta não precisa que um médico fale quais movimentos um paciente deve fazer, ou quais métodos devem ser utilizados em seu tratamento. Somos profissionais habilitados a avaliar o paciente, definir quais suas necessidades e escolher o tratamento adequado – assim como é o médico que tem habilidade para definir tratamentos medicamentosos e cirúrgicos.
De qualquer forma, esse não era o ponto que eu queria abordar. Uma das personagens da novela, Luciana, sofreu um acidente. Ela está internada, e a lesão medular levou à tetraplegia. Ela estava conseguindo mover apenas a cabeça. No capítulo de ontem, Luciana fez uma surpresa para os pais e um amigo (que também é um dos médicos que a acompanha): com muito esforço, conseguiu movimentar o braço esquerdo, levantando e apoiando no abdômen. Depois, ainda brincou, falando que era só meio progresso, pois conseguia levantar, mas não retornar à posição inicial. A cena (dividida em duas partes, pois o pai só viu a surpresa em outro momento) foi emocionante.
A atuação da atriz Alinne Moraes foi muita boa. Reconheci, na sua expressão de esforço e concentração, o mesmo rostinho que vi tantas vezes em tantos alunos da escola especial. A emoção do médico e amigo, da mãe, do pai, foi a mesma que eu mesma senti tantas vezes. Impossível não lembrar de cada uma das crianças que vi andando pela primeira vez, ou das que conseguiram, pela primeira vez, fazer um movimento voluntário e intencional quando solicitados. Como não lembrar da satisfação delas, depois de ter tentado repetir a atividade tantas e tantas vezes? O primeiro bater palmas fazendo barulhinho, aos 5 anos; o andar de um sofá até o outro, com 4 anos; o primeiro passeio sem mão dada no jardim da escola; as perninhas estendidas pra ficar em pé pela primeira vez; a primeira palavra; a primeira colherada sozinha…
São momentos que, pra outras pessoas, poderiam não ter nada de especial. Pras crianças e pra mim, eram o resultado de muito esforço, vontade, perseverança, paciência, trabalho em conjunto com outras profissionais e famílias. Na minha opinião, a novela mostrou muito bem o significado de pequenos gestos que são, na verdade, grandes conquistas.

