Há alguns anos, atendi uma menina com idade entre 1 e 2 anos que apresentava atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. Nos primeiros meses de vida, a bebê crescia pouco e seu desenvolvimento não seguia o ritmo esperado. O médico diagnosticava gripes, resfriados, viroses, e isso justificava a situação. Os pais perceberam que algo estava errado e procuraram um especialista, que diagnosticou uma alteração cardíaca congênita (presente desde o nascimento). A correção da alteração seria feita por cirurgia, mas foi preciso aguardar mais alguns meses até que o bebê tivesse peso suficiente para enfrentar a operação com menos riscos. Essa foi a causa do atraso no desenvolvimento e crescimento. Aos poucos, depois da cirurgia, ela ganhou peso, cresceu e se desenvolveu muito melhor. Com poucas semanas de fisioterapia, começou a andar. Se o diagnóstico tivesse acontecido meses antes, todos esses problemas poderiam ter sido minimizados, e os prejuízos teriam sido menores e resolvidos ainda mais rapidamente.
Pra evitar situações como essa, a Associação de Assistência à Criança Cardiopata Pequenos Corações incentiva que os municípios transformem em Lei a obrigatoriedade do Teste do Coraçãozinho (também chamado de oximetria de pulso), ainda pouco conhecido e divulgado. O teste é rápido e simples de ser feito. Usando um aparelho chamado oxímetro, é possível verificar a porcentagem de oxigênio presente no sangue, através de um detector colocado na mão ou no pé do bebê. Não é preciso coletar sangue, nem uma picadinha como no Teste do Pezinho. Todas as maternidades devem ter um oxímetro, pois é usado em diversas outras situações. Isso torna o teste ainda mais simples e de baixo custo, pois basta um equipamento para muitos testes. Se o teste mostrar alteração, outros exames devem ser feitos para que se chegue ao diagnóstico correto.
