Se pra nós, adultos, os termos usados por médicos e profissionais de saúde já são, muitas vezes, de difícil compreensão, imagina para as crianças!
Meu pai lembrou de um fato que aconteceu com meu irmão, quando tinha uns 5 anos, e que ilustra bem o fato. Por causa de uma dor forte que ele começou a sentir, o levamos à pediatra, que pediu um ultrassom de abdômen e pelve. Enquanto fazia o exame, outra médica ia falando sobre o que estava vendo. Chegou ao diagnóstico, mostrou a imagem e explicou para nós que era um cálculo renal. Virou pra ele e, procurando simplificar, disse que era uma pedrinha no rim. Meu irmão passou o exame todo em silêncio, e só voltou a falar já no carro. Com um olhar confuso, falou: “mas eu não comi nenhuma pedra…”.
Foi engraçado, mas percebemos o quanto isso o deixou ansioso. Explicamos que era uma pedrinha formada dentro do corpo mesmo, que não era culpa de nada que houvesse comido. Ele se acalmou, foi medicado e logo estava bem novamente.
Mas isso fez pensar sobre o quanto uma consulta pode ser assustadora pra uma criança. Ela escuta palavras que não conhece, ou que têm sentido diferente do que imagina, fica sabendo que vai precisar tomar remédios mas, até que alguém explique a situação com calma, não tem certeza do que está acontecendo. Imagino que seria o mesmo de ser consultada por médicos que não falem nossa língua, e que só pudéssemos reconhecer algumas palavras durante o diagnóstico e a prescrição do tratamento. Deve ser angustiante mesmo pra um adulto, não acham?
Encontrar as informações que a criança vai conseguir assimilar não é muito fácil. Mas é importante oferecer uma explicação simplificada e deixar a criança à vontade para fazer perguntas – lembrando que elas podem aparecer só um bom tempo depois.
