Prevenção, diagnóstico e tratamento
Há uns meses, um dos vídeos mais assistidos no Youtube foi o de Solange, a gaga de Ilhéus. Ela ligou para o apresentador de um programa de rádio para falar sobre problemas da cidade em que mora, na Bahia. O sucesso foi tão grande que Solange foi convidada para um quadro no programa da Hebe. Ela e a jornalista Cynthia Benini apresentaram, na última segunda-feira, um jornal dentro da atração semanal do SBT. Solange fez o papel de uma repórter. A apresentadora, a jornalista e a platéia, assim como a maior parte de quem assistiu, deu boas risadas por causa da gagueira de Solange.
Esse é o vídeo com a entrevista original de Solange. Divertido para quem não conhece o problema, constrangedor para quem enfrenta a gagueira no dia-a-dia.
Mas, apesar de ser mostrado como uma brincadeira, como um quadro de humor, esse é um assunto sério e delicado. A natureza humana nos faz rir de pessoas gagas. Mas, para elas, a gagueira é, muitas vezes, motivo de constrangimento. Existem ainda muitos mitos em relação à gagueira, e muitos acreditam que não há nada a ser feito para que melhore.
A gagueira é um transtorno na fluência da fala, ou seja, na manutenção do ritmo da fala. Sua causa é neurológica: o cérebro tem dificuldade em diferenciar o fim de um som ou sílaba e o início do próximo som ou sílaba. Essa “confusão” gera a repetição, que termina quando o cérebro identifica o fim do som e comanda a continuidade da palavra.
A gagueira pode se apresentar como um bloqueio ou parada na fala, prolongamento ou repetição de um som. Existe, também, a gagueira encoberta, quando a pessoa consegue disfarcá-la, evitando o uso de algumas palavras, fazendo pausas, inserindo outras palavras no discurso (como “olha”, “bom”, “é”).
A área do cérebro onde se origina a gagueira é chamada de núcleos da base. Esses núcleos estão envolvidos na fala espontânea, usada em conversas comuns. Sua atuação, entretanto, diminui durante outras atividades, como cantar, falar com tom de voz diferente, imitar a forma de outra pessoa falar, falar sozinho ou com animais. Isso justifica o fato de quem tem gagueira conseguir falar ou cantar sem gaguejar em algumas situações. Por outro lado, isso explica que o mito de que a gagueira piora em situações de estresse emocional não é verdadeiro. A piora ou melhora momentânea estão ligadas ao envolvimento dos núcleos da base na ação.
Aproximadamente 1% dos brasileiros são gagos. Em geral, a gagueira aparece entre os dois e três anos de idade. Suas causas são hereditariedade (determinada geneticamente) ou por lesão neurológica. Pode, porém, iniciar em qualquer idade, quando houver lesão cerebral (acidente vascular cerebral, traumatismo craniano ou doenças neurodegenerativas) que envolva os núcleos da base. Existe, ainda, a gagueira psicogênica. Ela é causada não por uma lesão no cérebro, e sim por conflitos psíquicos.
Um aspecto muito importante sobre a gagueira, especialmente a gagueira infantil é: tem tratamento. O tratamento é feito por fonoaudiologistas, em conjunto com neurologistas e psicólogos. Não leva à cura completa da gagueira, mas pode reduzir bastante o problema, deixando resquícios imperceptíveis para muitas pessoas. Pode-se associar medicamentos ao tratamento fonoaudiológico, porém seu uso só pode ser indicado pelo médico.
A dermatite de contato é uma reação alérgica da pele a algumas substâncias, caracterizada por uma inflamação. É muito comum nas crianças, que têm a pele mais sensível. Entretanto, adultos também podem ter. Também é chamada de dermatite alérgica e eczema de contato.
Os sintomas de dermatite de contato demonstram a irritação da pele: vermelhidão, coceira, ardência, “bolinhas”, pele ressecada e descamação.
Dependendo das causas da dermatite, o próprio paciente consegue identificá-las, evitando os alérgenos. Eu, por exemplo, tenho alergia a perfumes. Se passar o perfume direto na pele, tenho todos os sintomas descritos acima. Para não deixar de usar, borrifo na roupa. Assim, evito a causa da alergia e, consequentemente, controlo os episódios de dermatite de contato.
Em muitos casos, porém, não é possível identificar sozinho as substâncias a que se é sensível. Nesse caso, para o diagnóstico, é necessário que se procure um médico alergologista, que fará um exame chamado teste de alergia. Com o resultado desse exame, identificando os alérgenos, o médico pode definir o tratamento mais adequado.
De acordo com o grau da alergia e o tipo de substância que causa a sensibilidade, o tratamento pode incluir medidas como:
Para ler mais sobre alergias e seu diagnóstico, acesse o post Diagnóstico e Tratamento de Alergias.
Um tempo atrás, uma conhecida atriz, a Cláudia Rodrigues (que interpretava a Marinete, de A Diarista) anunciou que tinha uma doença chamada esclerose múltipla. Desde então, a esclerose múltipla começou a ser mais divulgada. Ainda assim, quem é diagnosticado com ela ainda sente bastante receio e tem muitas dúvidas. Vamos falar, então, sobre as principais informações sobre a esclerose múltipla.
Esclerose múltipla é uma doença neurológica progressiva, que atinge mulheres brancas com maior frequência.
Os sintomas da esclerose múltipla são causados pela destruição da bainha de mielina (camada que reveste os neurônios - células do sistema nervoso) no cérebro e na medula espinhal. Entretanto, o mecanismo que leva à essa destruição ainda não é bem conhecido. Uma possibilidade é que uma infecção por vírus, em pessoas geneticamente predispostas, ativa as células de defesa do organismo, que “confundem” o vírus e a bainha de mielina.
Os principais sintomas da esclerose múltipla são fraqueza muscular, dor e rigidez nas articulações, dor na face, incoordenação motora, perda de equilíbrio, vertigemdificuldade para andar, tremor e formigamento. Pode causar ainda insuficiência respiratória, incontinência urinária, dificuldade visual e auditiva, depressão e impotência sexual.
O diagnóstico é feito principalmente de forma clínica, com base nos sintomas apresentados pelo paciente. Pode ser solicitado também um exame de ressonância magnética, para verificar as áreas com lesão no sistema nervoso central.
O tratamento medicamentoso é feito com corticosteróides e outros imunossupressores, inclusive o beta-interferon.
O principal tratamento é a fisioterapia. O tratamento tradicional (no solo) e a hidroterapia auxiliam a reduzir a progressão do comprometimento dos movimentos. Além disso, fisioterapia respiratória deve fazer parte da rotina dos pacientes com esclerose múltipla para diminuir os riscos de infecção e insuficiência pulmonar.
É importante que se associe a psicoterapia para minimizar os efeitos psicológicos trazidos pela incapacidade progressiva.
A progressão da esclerose múltipla depende de diversos fatores, como a idade em que os sintomas começaram, o estado de saúde geral e o subtipo da doença. Em geral, há necessidade de uso de cadeira de rodas após alguns anos.
O contato com outras pessoas que tenham esclerose múltipla, seus familiares e profissionais especializados auxilia no tratamento. É uma forma de solucionar dúvidas e buscar tratamentos. A Associação Brasileira de Esclerose Múltipla fornece, em seu site, muitas informações, assim como o Blog Esclerose Múltipla.
Com um pouquinho de atraso - causado por puro esquecimento, aí vão os links do segundo post da série semanal Prevenção, Diagnóstico e Traamento:

Blogs ajudam a tratar doenças de todo tipo - de obesidade e diabete a esclerose múltipla: esta reportagem fala sobre o uso de blogs como auxílio e suporte para pessoas com diversas doenças.
Estudo liga falta de vitamina a encolhimento de cérebro em idosos: um estudo verificou que a falta de vitamina B12 causa uma redução do tecido cerebral mais acelerada com o passar dos anos. Com a continuidade das pesquisas, poderá ser encontrada uma forma de reduzir o número de casos de demência e perda de memória com a suplementação da vitamina.
Doenças raras na Medicina: Eduardo Sayeg explica sobre as 10 doenças mais raras na Medicina:
‘Positivo ou não” joga sobre estigma para combater a AIDS: um jogo que busca combater o preconceito contra os aidéticos. Com base em diversas informações sobre pessoas de várias partes dos EUA, você deve decidir se acredita que elas têm ou não AIDS.
Este é o início de uma série semanal de posts com links para matérias interessantes relacionadas à saude publicadas em outros sites.

Estudo revela começo da síndrome de Down no embrião: em um experimento com camundongos, foi possível observar o início das mudanças causadas pelo cromossomo extra da Síndrome de Down. Apesar de que a pesquisa é ainda somente um primeiro passo, ela pode levar a tratamentos que, no futuro, possam reduzir os efeitos da síndrome e possibilitem um melhor desenvolvimento da criança nos primeiros anos de vida.
Vacinação - Calendário básico de vacinas para crianças: o Ministério da Saúde preparou uma tabela com todas as vacinas obrigatórias para crianças até 10 anos. Neste post você encontra a idade em que cada vacina e dose deve ser aplicada, que doenças são combatidas e algumas informações complementares sobre as vacinas.
Como você controla seu ciclo menstrual?: sugestão de um site que permite controlar o ciclo menstrual. Através do primeiro dia da menstruação, ele informa vários dados como dia da ovulação e da próxima menstruação.
Escrita pode indicar doença cardíaca, diz estudo: uma pesquisa sugere que pacientes com problemas cardíacos precisam descansar enquanto escrevem, o que poderia ajudar a identificar o estágio da doença e se sintomas iniciais já teriam reflexo na escrita.
Ferberização preconiza espera progressiva para criança dormir sozinha: dicas do método idealizado pelo pediatra Richard Ferber para conseguir que a criança passe a dormir sozinha.
Por coincidência - ou não - li em seguida dois feeds sobre o mesmo assunto. A Veridiana falou sobre Alzheimer, mostrando o relato de um filho sobre o pai com a doença, e sobre a Neuróbica. Já a revista Mente e Cérebro fala sobre uma possível causa do Alzheimer: infecções.
A doença de Alzheimer, bem como outros tipos de demência, leva à perda de memória, alterações de comportamento. O tratamento, em geral, apenas retarda o avançar da doença e procura controlar agressividade, alterações do sono, comprometimento dos movimentos e outros problemas consequentes à doença. Identificar e conhecer mais profundamente as causas possibilitaria um melhor tratamento para quem tem Alzheimer, além de permitir a prevenção de alguns fatores.
Sabe-se que pessoas com melhor nível cognitivo, ou seja, que adquiriram muito conhecimento ao longo da vida, através de estudo, leitura, desafios, têm Alzheimer com uma evolução mais lenta e sintomas ligeiramente mais brandos. Em pessoas com nível cognitivo baixo a evolução costuma ser bastante rápida e agressiva. Com essa informação, sabemos que podemos diminuir os riscos da demência estimulando o cérebro, lendo, estudando, aprendendo, criando desafios como os sugeridos pela Neuróbica (por exemplo, usar o relógio no outro braço, escovar os dentes com a outra mão, andar de costas, comer alimentos diferentes, fazer novos caminhos para o trabalho).
A informação de que infecções podem causar Alzheimer, já comentada há mais de um século por Alois Alzheimer, o descobridor da doença, possibilita um tratamento inicial mais rápido. Alguns dos possíveis causadores de infecção são Herpes simplex tipo 1 e Chlamydia pneumonia. O uso de antibióticos logo após o diagnóstico de Alzheimer reduziria o quadro inflamatório causado pela infecção e, consequentemente, poderia deter a progressão da doença.
Por enquanto, ainda nos resta esperar que mais pesquisas sejam feitas para confirmar esses estudos e, quem sabe, descobrir outras formas de tratamento para deter o avanço do Alzheimer.