Prevenção, diagnóstico e tratamento
Você consegue imaginar como seria não sentir nenhum cheiro? Hoje a Milena falou sobre isso, contando a história de seu pai:
… Ele perdeu o olfato. Assim como se perde um botão de camisa, perdeu o aroma das coisas… Foram anos de operações que nunca trouxeram o cheiro da chuva, da macarronada ou da esposa de volta. Com o tempo, se acostumou…
O que aconteceu com o pai da Milena tem um nome: anosmia.
Anosmia é a perda do olfato, ou seja, a incapacidade de sentir cheiros.
Além de não conseguir sentir cheiros, em geral o paladar fica comprometido. O paladar é responsável por cinco sabores: doce, salgado, azedo, amargo e unami (associado ao glutamato monossódico, ou aji-no-moto). A diferenciação entre dois alimentos doces, por exemplo, depende também do olfato, que auxilia na identificação das características de cada um.
A anosmia pode ter origem genética ou ser causada por traumas ou doenças: traumatismos cranianos, cirurgias no nariz, gripe, rinite, sinusite, polipose nasal, alergia, lesão do nervo olfativo, obstrução das fossas nasais, tumores, problemas neurológicos como Alzheimer síndromes congênitas e problemas psicossomáticos.
Dependendo da causa, a anosmia não tem cura. Uma lesão grave do nervo olfativo, por exemplo, pode não permitir reconstituição, enquantouma obstrução de fossas nasais pode ser removida cirurgicamente.
O tratamento da anosmia envolve o uso de corticóides, hidratação oral, repouso, analgésicos e cirurgias para desobstruir a cavidade nasal. Você deve procurar um otorrinolaringologista, que irá definir o tratamento adequado ao seu caso.
A anosmia pode levar a situações de risco, como não sentir o cheiro do gás que está vazando ou perceber que a comida está estragada. A perda do paladar também pode causar distúrbios alimentares, como a diminuição do apetite.
Se, no seu caso, não houver tratamento e você precisar conviver com a anosmia, faça como o pai da Milena:
… Ele se adaptou à sua deficiência, à sua meia-percepção, e fez do problema, compensação: hoje, é capaz de dizer do que uma sopa é feita numa só colherada…
Dificilmente olho o odômetro do carro. Porém, é bem frequente, quando estou dirigindo, alguma coisa chamar a atenção e, ao olhar, me deparar com números interessantes, como 33.333, 34.567 ou 40.404. Gosto de números com algarismos sequenciais ou repetidos. Será que é coincidência eu olhar sempre que são números assim? Eu pressinto que um deles vai aparecer? Nada disso. Acontece que, ainda que esteja olhando para a frente, prestando atenção na estrada e em outros carros, outras imagens estão em meu campo visual. Essas informações são captadas e registradas o tempo todo, porém você não se dá conta disso. Quando alguma dessas imagens é relevante, a atenção se volta para ela. É o mesmo processo que faz você perceber que um carro apareceu no retrovisor, ainda que você não esteja olhando para ele.
Você nunca percebeu os números do odômetro, sem ter olhado diretamente para ele? Provavelmente porque essa não é uma situação de interesse para você. Eu gosto de números, você não. Por outro lado, se eu passar perto de uma mulher com saia curta ou decote generoso, nem vou perceber, enquanto você pode olhar até ter um torcicolo.
Para que uma imagem no campo visual seja relevante, depende de seu interesse, de sua atenção, de suas experiências anteriores. Se você está dirigindo, qualquer movimento ao redor pode ser importante. Se você está cuidando de um bebê que está dormindo, qualquer movimento que ele faça merece sua atenção. Se tem medo de tempestades, percebe qualquer clarão no céu. Isso porque você já sabe que um movimento pode ser alguém prestes a atravessar a rua ou um carro querendo ultrapassar, o bebê pode estar acordando e precisando de sua atenção, o clarão pode ser apenas um fogo de artifício ou uma trovoada anunciando uma tempestade.
O mesmo acontece com outros sentidos. Mesmo em um local com muito barulho, a mãe escuta seu filho chamando; o cheiro de queimado é capaz de nos acordar; um sabor minimamente diferente alerta para a possibilidade de o alimento estar deteriorado; um toque rápido é suficiente para saber que a criança está com febre.
Mas porque não nos damos conta de tudo o que está acontecendo o tempo todo? Observe seu ambiente agora. Digamos que você esteja sentado em frente ao computador, lendo este post. Você está chupando uma bala. O relógio do Windows acabou de mudar o minuto. Como está calor, o ventilador está ligado. No aquário ao seu lado, vários peixinhos nadam de um lado para o outro. Seu pai está na sala assistindo tv, mudado de canal. Sua mãe está preparando o almoço, mexendo em panelas, abrindo e fechando a geladeira. O microondas está apitando. Uma nuvem passa em frente ao sol e o quarto fica um pouquinho mais escuro. Alguém deixou um balde cair enquanto vizinhos estão conversando. Um cachorro late, um carro está entrando na garagem e o telefone toca. Tudo isso ao mesmo tempo!
Como você conseguiria se concentrar na leitura se estivesse dando a mesma atenção a todos esses estímulos? Seu sistema nervoso tem uma espécie de filtro, que permite selecionar, entre todos os estímulos táteis, gustativos, visuais, olfativos e auditivos, o que é relevante e importante para você a cada momento. Isso permite que você mantenha o foco na atividade que está realizando.
Ou seja… Pode continuar aí, lendo o resto do blog, com toda a atenção, e deixe que seus sentidos o avisem de qualquer coisa mais importante.