Prevenção, diagnóstico e tratamento
Quase todo mundo, nos últimos dias, deve ter acompanhado as notícias sobre a votação que estava acontecendo no Supremo Tribunal Federal a respeito de pesquisas com células-tronco embrionárias. As células-tronco são as células que dão origem a todas as outros do nosso corpo. Existem também no organismo adulto, encontradas na medula ósseo, no cordão umbilical. Já as células-tronco embrionárias são obtidas de quatro a cinco dias após a fecundação. São células com maior potencial de desenvolvimento que as células-tronco adultas.
Elas são a esperança de cura para diversos problemas, como:
Fiquei muito feliz quando soube que as pesquisas foram aprovadas. O tratamento comas células-tronco tem uma grande possibilidade de levar a cura para diversas patologias até então incuráveis. Pode também garantir uma melhor qualidade de vida para quem tinha possibilidades limitadas através dos tratamentos tradicionais. Ainda assim, já tive meus debates éticos interiores a respeito do assunto. É correto utilizar um embrião? Acredito no início da vida logo após a fecundação. Assim, o embrião “destruído” para captar as células-tronco estariam sendo mortos. Mas já não serão mesmo? Sim. É o que acontece com embriões não utilizados, fecundados há muitos anos, embriões inviáveis, embriões que os pais não pretendem mais utilizar. Todos esses serão destruídos, jogados fora, descartados. Porque não, então, usá-los para beneficiar tantas outras pessoas? E a vida nesses embriões? Sinceramente, não sei. Talvez exista alguma diferença entre os que serão escolhidos para continuar a vida através de uma gestação e os que serão descartados. Mas isso é com Ele, lá em cima. Por mais que se discuta a ética das células-tronco embrionárias, acredito que nunca haverá uma certeza. E por isso defendo que sejam sim utilizadas para as pesquisas.
Por tudo isso, entendo que a votação tenha sido tão difícil. A diferença entre os ministros favoráveis e os contrários foi de apenas um voto. Eles representam a população, não? E as dúvidas que eles tiveram, as discussões, as idéias, são as mesmas de qualquer outra pessoa, e a divisão entre quem concorda ou não existe em qualquer lugar. Concordo também com as restrições que foram impostas. Somente poderão ser usados embriões com mais de três anos ou inviáveis, com autorização dos pais e não podem ser comercializados. Quem doou os óvulos e espermatozóides para a fecundação tem o direito de decidir o que será feito com eles. Mas espero que todos autorizem esse uso.
Agora, é só esperar pelos resultados das primeiras pesquisas. E ao que tudo indica, eles não demorarão a aparecer. O Governo Federal já anunciou a criação, no próximo mês, de uma rede nacional de pesquisa em célula-tronco.