Surdo-mudo?
No último domingo (6 de setembro), a Discovery Home & Health mostrou o documentário As Irmãs Hooker, sobre trigêmeas que desenvolveram a surdocegueira como consequência da prematuridade. O documentário foi muito interessante, mostrando as dificuldades e conquistas de cada uma das meninas. Foi possível ver tratamentos e serviços que ainda não são tão comuns no Brasil, como o implante coclear, a prótese ocular os monitores que atuam no dia-a-dia da criança, em casa e outras atividades extra-curriculares. Outros serviços, como a presença de um profissional para apoio pedagógico na escola, já estão sendo oferecidos aqui, apesar de, por enquanto, as escolas ainda não estarem totalmente preparadas e adaptadas para receber crianças deficientes e com necessidades especiais.
Mas o assunto do post não é bem esse. Como não consegui assistir no domingo, procurei na internet os horários de reprise e aproveitei pra pesquisar mais sobre o documentário. Em um dos sites, li a descrição “Este documentário mostra a vida das únicas trigêmeas cegas e surdas-mudas do mundo.” E então lembrei de todas as explicações que já ouvi e li sobre o termo surdo-murdo.
A surdez não é, necessariamente, associada à mudez. Na realidade, poucos são os casos de verdadeira surdo-mudez. Em geral, os chamados surdo-mudos, apenas não conseguem ouvir. A impossibilidade de falar não vem de uma alteração neurológica ou anatômica, e sim do fato de não aprenderem a produzir os sons necessários para a fala, pois não os ouvem. É assim que aprendemos a falar: ouvindo os sons e reproduzindo-os. Se a pessoa não os ouve, a princípio, não tem como repeti-los.
É possível, porém, que se ensine esses sons aos surdos. Com a orientação de fonoaudiólogos, ou até mesmo sozinhos, eles podem desenvolver a percepção e a repetição de cada som através da vibração que cada um produz, da forma como os lábios e a língua se movimentam e de como a respiração deve ser coordenada com esses movimentos. Quando isso acontece, é utilizado o termo surdo oralizado, ou seja, aquele que, apesar da surdez, consegue se comunicar através da linguagem oral. A oralização, porém, não impede que a pessoa aprenda também LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais). Dependendo da situação e de com quem se está comunicando, pode ser mais prático usar uma ou outra opção, assim como os ouvintes às vezes falam e em alguns momentos só fazem gestos, como em um ambiente com muito barulho, por exemplo.
Assim, ao se referir a uma pessoa com deficiência auditiva, evite chamá-la de surdo-muda: surdo ou surda são os termos corretos.


setembro 10th, 2009 at 1:30 pm
Muito bem não vou chamar mais, confesso que chamava mesmo. Renata, e a maioria deles, pela própria condição são extremamente estressados, nervosos mesmo, por isso todo cuidado e atenção nos gestos é fundamental.
setembro 14th, 2009 at 5:29 pm
Silvano, eu também chamava assim até começar a trabalhar na educação especial. Acredito que esse nervosismo tenha relação com a falta de atenção que as pessoas têm em relação a uma pessoa com deficiência. Tem quem, ao deparar com um surdo, comece a falar muito alto, como se isso resolvesse. Apesar de não ouvirem todos os sons, podem captar alguns ou sentir sua vibração, e isso pode ser desconfortável. Também tem muita gente que acha que LIBRAS é qualquer sinal, qualquer gesto, e deve ser complicado entender se a pessoa realmente quer dizer o que o sinal mostra ou se é outra coisa…
setembro 30th, 2009 at 6:56 pm
OOi Renata!! Bem legal esse seu post… eu também associava o surdo ao mudo.
setembro 30th, 2009 at 11:07 pm
Thais, eu só descobri o certo quando vi uma apostila de Libras. Na capa estava escrito surdo-mudo, com um X em cima de mudo. Mesmo na faculdade alguns professores ainda usavam o termo errado…