Prevenção, diagnóstico e tratamento
Algum tempo atrás, quando estava lendo uma Superinteressante (infelizmente a edição não lembro qual era), me deparei com uma reportagem sobre sinestesia.
Esta reportagem foi uma das leituras mais felizes prá mim.
Passei muitos anos de minha vida achando que eu tinha alguma coisa errada, sei lá, que eu poderia ser meio “ET”.
Porque eu sempre vi cores e, em menor escala, tamanho nos sons. Assim como, para mim, as cores tem som.
Quando ouço algumas músicas, mesmo que a letra delas não seja exatamente “prá baixo”, conforme o som da melodia, às vezes mesmo uma melodia alegre, fico meio deprimida, porque as cores das notas não batem com o som.
Música erudita é mais fácil. Fora Bethoven, que tem o som mais escuro, em geral, o resto é legal. Até porque não conheço tantos compositores assim. Então os que gosto mais são bem agradáveis prá mim. Os Bee Gees têm musicas mais claras, o que também me facilita.
Amo música, mas somente depois desta reportagem, mais especificamente, pude entender porque, gostando tanto de sons, alguns me eram extremamente irritantes.
Hoje me policio um pouco para emitir opinião sobre músicas, porque já sei que muitas vezes o que não gosto não é exatamente da melodia, mas sim das cores que vejo. É isto que atrapalha.
Ainda não fui verificar cientificamente isto que se passa comigo. Mas é uma coisa tão antiga que tenho certeza do que se passa. Sempre comentava com as pessoas, e a reação delas, invariavelmente, era aquele sorriso de lado, como se eu estivesse falando uma asneira ou querendo aparecer.
Hoje está mais fácil. Principalmente depois desta reportagem da Super.
Aliás, de público, devo agradecer o imenso serviço que esta revista proporcionou a mim.
Pelo menos sei que não sou uma extraterrestre.Beth Pinheiro - minha mãe!
Assistindo um programa sobre medicina na Discovery Home & Health, um tempo atrás, ouvi sobre sinestesia. Na hora, não lembrei do que era, e anotei para depois pesquisar. Ontem achei a anotação e, ao começar a ler, lembrei: minha mãe tem isso! Lembro da emoção dela, após ler a reportagem. Veio me mostrar e falar que tinha entendido o que acontecia com ela. Então, pedi que ela escrevesse esse depoimento, pois acredito que será muito mais fácil para o leitor entender o assunto com a ajuda de um relato pessoal.
A sinestesia é como uma confusão de sentidos. Quando ouvimos um som, neurônios responsáveis pela audição e linguagem são ativados. Esses neurônios, por sua vez, acionam outros, como os ligados a sentimentos, memórias e sensações de bem-estar ou desagrado. Já na sinestesia, outras áreas do cérebro são também ativadas, como a percepção de cores.
Sendo assim, a sinestesia é uma condição de origem neurológica. Suas causas, entretanto, não são conhecidas. Não há certeza também quanto à incidência, pois muitas pessoas mantém segredo sobre a condição. A princípio, atinge mais mulheres e canhotos. A sinestesia pode acontecer desde o nascimento ou ser adquirida pelo uso de alguns medicamentos e drogas ou de lesões no cérebro. Muitas pessoas que já nasceram sinestéticas não chegam a perceber que têm uma situação diferente da maioria das pessoas: pra eles, essa confusão de sentidos e normal.
Existem vários tipos de sinestesia, que podem acontecer isoladamente ou em conjunto: sinestesia som-cor, sinestesia cor-grafema (cor associada a número, palavra ou letra), sinestesia palavra-sabor, sinestesia sabor-toque, sinestesia grafema-cor, sinestesia grafema-qualidade (uma letra é fraca, uma palavra é suave, um número é irregular) e sinestesia espelho-toque (quando uma pessoa tem as mesmas sensações físicas que outra, inclusive a dor. Exemplo:ao ver alguém levando um beliscão, a pessoa tem a mesma sensação).

Exemplo de sinestesia cor-grafema ou grafema-cor.
As consequências da sinestesia para a vida de uma pessoa variam bastante: para algumas, facilita o aprendizado e a memorização; para outras, não interfere em nada; em alguns casos, pode causar incômodo pela grande quantidade de estímulos sensoriais gerados ao mesmo tempo.
A reportagem da revista Superinteressante citada acima pode ser lida na íntegra. Ela foi publicada originalmente da edição 184 de janeiro de 2003.
Autor da imagem: Rasbak
Atualização: A revista IstoÉ, número 2042, de 24 de dezembro de 2008, também traz uma ótima reportagem sobre sinestesia entre as páginas 70 e 72.
3 comentários for "Sinestesia"
Renata,
já tinha escutado alguma coisa sobre sinestesia, acho que minha irmã tinha falado, mas não conhecia os detalhes, muito interessante, acredito que tenha muita gente com as características deste problema e não saiba do que se trata.
É verdade. Muitos devem achar que é normal e todos sentem as mesmas coisas. Por outro lado, Também deve ter muita gente que se acha louca, porque deve ter ouvido esse comentário, como minha mãe.
Sabe, li sobre sinestesia num livro chamado A Redescoberta do Potencial Humano - Jean Houston. Nele a autora ensina como usar a sinestesia. Este assunto é fascinante…
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