Há uns três anos, trabalhando na APAE, eu e a outra fisioterapeuta da instituição estávamos preocupadas com a forma como as crianças eram transportadas no ônibus escolar. Algumas tinham paralisia cerebral ou atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, exigindo que continuassem utilizando cadeirinhas para bebê por não conseguirem manter-se sentadas. Em alguns casos, tínhamos dificuldade em aliar o posicionamento correto com a segurança no transporte, sem poder esquecer o espaço disponível e a acessibilidade para os alunos e os funcionários que trabalhavam nos ônibus.

Buscando unir tudo isso com a Lei, buscamos o Código Nacional de Trânsito. Porém, encontramos poucas informações: crianças menores de 10 anos não podem ser transportadas no banco da frente e bebês e devem utilizar cadeiras adequadas a seu peso e tamanho, presas ao banco. Mas que cadeiras eram as adequadas? Como adaptar as tais cadeiras às crianças com deficiência física ou atraso neuropsicomotor?

Para conseguir as melhores soluções, encontramos duas boas fontes de informação: a revista Cláudia, que na época trazia uma pequena reportagem sobre cadeirinhas e assentos para bebês e crianças, e o site da ONG Criança Segura. Descobrimos, então, os materiais mais adequados para garantir a segurança dos alunos. A direção da escola percebeu a importância do investimento, adquirindo o que foi solicitado. Eis os materiais que utilizamos:

  • Cadeirinhas comuns para transporte de bebês e crianças: como a escola já possuía esses modelos, apenas os adaptamos, reforçando os cintos de segurança, quando necessário, e acrescentando suportes para a cabeça, mantendo-a mais firme.
  • Cadeiras semelhantes às de bebê, feitas sob medida, para crianças mais velhas, adolescentes e adultos com paralisia cerebral.
  • Booster ou assento elevado: essa foi a maior descoberta durante a nossa pesquisa. O uso desse assento não é regulamentado pela Lei. Mas é uma ótima opção para crianças que já não ficam bem acomodadas nas cadeirinhas mas ainda não têm tamanho suficiente para serem protegidas pelos cintos de segurança comuns (entre 4 e 10 anos). Crianças com até aproximadamente 10 anos podem ser sufocadas pelo cinto de segurança comum no momento de uma freada. Isso acontece porque o cinto é projetado para pessoas mais altas; assim, o cinto não passa pelos pontos adequados em crianças. O assento elevado, ou booster, eleva a criança no assento, o que permite o melhor posicionamento em relação ao cinto. Além disso, ele conta com um dispositivo que ajusta ainda melhor o cinto de segurança, fazendo com que ele se mantenha nos pontos adequados.
  • Cinto de segurança de três pontas: eles já são obrigatórios, mas ainda não estão presentes em carros mais antigos. O cinto mais simples, somente abdominal, nao protege o tronco durante uma batida, permitindo que ele seja projetado para a frente. O cinto de três pontos garante mais segurança.
Depois de fazermos as alterações necessárias, ficamos muito mais tranquilas, tendo certeza de que as crianças estavam bem protegidas quanto à sua segurança e postura. Mas isso não se aplica apenas à um ônibus escolar de uma escola especial. Você deve ter esses cuidados com o seu filho, dentro do seu carro. Não é porque seu filho de 7 anos já é um mocinho-grandinho-esperto-com-bom-equilíbrio-e-você-dirige-bem que ele está a salvo de sofrer um acidente. Sei que é difícil convencer crianças a permanecerem sentadas, usarem cinto de segurança, usar cadeirinha… Mas é importante, muito, e evita consequências muito graves.