Promoção: A cientista que curou seu próprio cérebro
Dias atrás, havia lido no Medicina sem Segredo a sugestão de um livro chamado A cientista que curou seu próprio cérebro. Pela descrição, parecia bastante interessante. Coloquei o post nos favoritos pra depois, com calma, pesquisar mais sobre o livro. Um pouco depois, recebi um e-mail de uma representante da Ediouro, editora que publicou o livro, perguntando se tinha interesse em receber uma edição, para que pudesse ler e dar minha opinião sobre ele. No e-mail, havia a indicação do mini-site sobre o livro. Ali, encontrei várias informações sobre a autora e, inclusive, um trecho do livro. Dessa vez, tive certeza de que era muito interessante! Depois de uns poucos dias de ansiedade pela chegada do livro, finalmente o recebi na sexta-feira. A leitura é tão fácil e a história tão fascinante que, aproveitando boa parte do fim-de-semana, terminei o livro no fim da tarde do domingo.
A cientista que curou seu próprio cérebro foi escrito por Jill Bolte Taylor. Jill é uma neurocientista que, aos 37 anos, sofreu um derrame, ou acidente vascular cerebral (AVC). AVC é causado pela ruptura ou obstrução de um vaso sanguíneo que leva sangue ao cérebro, levando à morte de neurônios (células do sistema nervoso) e causando, consequentemente, à dificuldade ou incapacidade de realizar movimentos ou ações a que uma pessoa está acostumada. As dificuldades que uma pessoa encontrará após o derrame serão definidas pela área do cérebro que foi afetada. No caso da dra. Jill, houve uma hemorragia na parte esquerda de seu cérebro (hemisfério cerebral esquerdo), causada por uma má-formação artério-venosa, a MAV. Pela área atingida, ela apresentou dificuldade em movimentos (principalmente com o braço direito, pois um lado do cérebro comanda o outro lado do corpo), em compreender a linguagem e falar, e passou a ter o predomínio do hemisfério direito do cérebro, mais emocional e menos racional, mais amplo e menos apegado a detalhes, inclinado a perceber o ser como parte do Universo.
Graças a seus conhecimentos científicos, a dra. Jill pôde perceber que os sintomas que começou a apresentar indicavam uma lesão no cérebro. Assim, conseguiu pedir socorro, garantindo atendimento adequado e a tempo. Isso não acontece com muitas pessoas, que não percebem a gravidade de sintomas como maior sensibilidade a sons e dificuldade de equilíbrio, aumentando muito o tempo que levam até que consigam atendimento médico. Além disso, a dra. Jill conseguiu observar tudo que estava acontecendo com seu cérebro, cada área que estava sendo “desligada”, relacionando as informações que tinha sobre o cérebro e as sensações que estava apresentando. Dessa forma, conseguiu também identificar o que era necessário fazer para alcançar a recuperação. Contando com o apoio de sua mãe, G.G., Jill treinou novamente cada uma de suas habilidades. Mas, mais do que recuperar habilidades, a dra. Jill aprendeu. Como ela mesmo fala no livro:
… “Meu derrame de sabedoria” define o que o derrame me ensinou sobre meu cérebro… o derrame foi o evento traumático pelo qual me chegou o conhecimento. Este livro é… sobre a jornada do meu cérebro a caminho da consciência do meu hemisfério direito, onde me vi envolvida numa profunda paz interior. Ressuscitei a consciência do meu hemisfério esquerdo com a finalidade de ajudar outras pessoas a alcançar aquela mesma paz interior — sem precisar sofrer um derrame!
No livro, a dra. Jill fala sobre sua vida antes do derrame, a manhã em que ele aconteceu e seu pedido de socorro, a internação e a cirurgia, sua recuperação e reabilitação, as diferenças entre os hemisférios do cérebro e dicas para identificar um derrame e se recuperar. Tudo em uma linguagem bastante acessível e esclarecedora, já que ela fala do cérebro de uma forma que todos podem entender.
Nestes dois vídeos, você pode assistir a uma palestra da dra. Jill, contando sua história:
Você também pode ler mais sobre o livro, inclusive a introdução e o primeiro capítulo clicando aqui.
A leitura deste livro foi muito marcante pra mim. Como fisioterapeuta, já estive envolvida no tratamento de várias pessoas que sofreram lesões no cérebro, seja por derrames, traumatismos ou crianças com paralisia cerebral e síndrome de Down. Vi quanta coisa poderia ter feito diferente no início da profissão. Como, assim como vários outros profissionais, muitas vezes deixei de dar atenção ao paciente para me focar na doença. Como detalhes que, pra mim, não tinham importância, poderiam ter facilitado muito a recuperação de alguns pacientes. Por outro lado, foi bom ver como o conhecimento que adquiri ao longo dos anos, especialemente ao começar a trabalhar com Educação Condutiva, me levou a um caminho mais próximo do paciente, facilitando sua recuperação, facilitando sua vida. Coisas como separar uma ação em outras etapas menores e comemorar cada pequena conquista, sugestões dadas pela autora e alguns dos princípios da Educação Condutiva.
Apesar de ser um livro destinado a leigos, sugiro sua leitura por todos os profissionais da área da saúde e da educação especial. Poder observar a visão da dra. Jill, ao mesmo tempo cientista e paciente, vai proporcionar a todos um trabalho muito mais humano do que técnico.
E, por fim, a boa notícia para os leitores: a Ediouro ofereceu também um exemplar para ser entregue a um dos leitores em uma promoção. Se você quer ganhar o livro A cientista que curou seu próprio cérebro, de Jill Bolte Taylor, atenção às regras:
- Nos comentários aí embaixo, escreva sua resposta para a pergunta: “Como um problema de saúde mudou minha forma de viver?”. Pode ser um problema de saúde que você mesmo teve; alguém próximo que você acompanhou; a história de um paciente que você tratou.
- O prazo para participar da promoção é até o dia 30 de setembro.
- Não esqueça de preencher o campo com um e-mail válido para que possa ser contactado caso seja o vencedor.
- A melhor resposta será escolhida por mim, ou seja, não haverá sorteio, será uma escolha pessoal.
E quase ia esquecendo: tenho, sim, uma crítica ao livro. Esta é, aliás, uma crítica comum a vários outros livros e filmes. Acharia mais interessante se o título original tivesse sido mantido, nesse livro e em qualquer outro. Numa tradução livre do original em inglê, o nome do livro seria Meu derrame de sabedoria: a jornada pessoal de uma neurocientista.


setembro 16th, 2008 at 1:34 am
Muito interessante, quando passar um turbilhão de coisas que apareceram para esta semana, vou ler com calma. Abração.
setembro 17th, 2008 at 10:04 pm
Muito interessante o assunto do livro… chega até a ser irônico uma neurocientista ter um AVC!
setembro 25th, 2008 at 1:01 pm
No caso não sei se é considerado uma doença, mas foi depois que eu tive uma crise de apendicite no dia do aniversário da minha mãe. Precisei fazer cirurgia pra remoção no mesmo dia. Desde então eu pude ver que amor de mãe é incondicional, tendo ela do meu lado o tempo inteiro, inclusive se escondendo para ficar no quarto comigo, já que ela não podia estar lá.
setembro 25th, 2008 at 1:56 pm
A história que lembrei quando vi essa promoção é de uma colega de trabalho. Essa pessoa passou por um câncer e ficou afastada mais ou meno sum ano do trabalho. Ela sempre foi uma pessoa fechada e não dava demonstração de vontade de fazer amizades… era rancoroza e não se misturava aos colegas de trabalho com os quais não simpatizava, nem sei porque motivos. Quando voltou do tratamento, totalmente recuperada, encontrei outra pessoa. Hoje, está mais bonita, tem um brilho de libertação nos olhos e não se importa mais em tomar café com os colegas, mesmo com aqueles que deram motivos para ela não simpatizasse com eles. Acho que isso se deve a descoberta de que cultivar emoções inferiores como o rancor, além de não fazer bem à saúde, não levam a lugar algum.
setembro 28th, 2008 at 11:42 am
Eu fiz tudo certo na minha vida, comecei a trabalhar aos 10 anos, estudei, arrumei um ótimo emprego, conheci uma linda mulher fizemos nossos sonhos e projetos para o futuro, nós eramos um casal perfeito, entrei pra faculdade, tinha ótimas notas, mas infelizmente no dia 11/06/2005 ela faleceu, vitima de derrame cerebral, eu entrei em loucura pois nunca na minha vida esperava passar por uma situação dessa, até porque nunca tinha perdido ninguém na familia e nem amigos, e infelizmente ela foi sepultada justo no dia dos namorados 12/06/2005 foi o pior dia da minha vida, eu com o presente dela guardado, uma tarde chuvosa era impossivel aceitar tal situação, foi onde cai em depressão profunda, meu patrão me afastou da empresa na época era Gerente Financeiro além da depressão foi constatado que estava com meu braço direito totalmente lesionado a famosa LER/DORT lesões por esforço repetitivo. fiz vários tratamentos com medicamentos controlados, fisioterapia, tentei mais de 5 vezes suicidio com alta dosagem de medicamentos. ainda sou beneficiario do inss, já que a empresa que trabalhava não existe mais. com tudo isso perdi tudo, meus 2 carros, minha moto, meus móveis, tranquei a faculdade, amigos sumiram, meu salário do governo é precário, hoje moro de favor na casa dos meus pais, que não se importam comigo, tenho muitas dividas acumuladas desde a tragédia, cheguei a virar alcoolatra, mas graças a Deus superei. agora em Dezembro vou ganhar alta do governo, porém não tenho lugar pra trabalhar e nem quero me aposentar pois tenho apenas 30 anos, confesso a vocês que desde a perda da minha noiva nunca mais fiquei ou beijei outra mulher, e nesses tempos de solidão e isolamento descobri um talento que até então nunca tinha interesse, comecei a trabalhar com edições Aúdio-Visuais, já fiz vários videos particulares, festas, eventos, 15 anos e etc.., por ter me tornado uma pessoa sentimental eu consigo transmitir fortes emoções e alegrias através das produções dos meus videos, é um Dom que até então não tinha descobrido. eu sou uma pessoa sozinha praticamente sem ninguém por mim, mas tenho Deus no meu coração e sei que ele esta preparando algo especial pra mim.
setembro 28th, 2008 at 12:50 pm
minha mae ficou com cancer, e apesar de eu estar envolvida com pesquisa sobre tal doença, nao consegui ser tao rapida com meus estudos a ponto de nao deixar minha mae falecer por causa desta doença. mas a pesquisa nao pode parar, porque ha mais maes no mundo….
setembro 29th, 2008 at 12:16 am
[...] agora lá no blog da Renata Pinheiro, minha excelentíssima, responda na lata e concorra até terça-feira a esse [...]
outubro 1st, 2008 at 1:34 am
[...] chegou ao fim a promoção “A cientista que curou seu próprio cérebro”! Apesar dos poucos participantes, não foi fácil escolher quem vai ganhar o livro. Todos merecem, [...]
novembro 24th, 2008 at 8:01 pm
[...] Para participar da promoção, basta responder à pergunta “Como um problema de saúde mudou minha forma de viver?”. A resposta deve ser colocada no comentário do post em que falo sobre o livro. Lá, você tambpem encontra as regras da promoção. Clique aqui para participar da promoção. [...]
dezembro 10th, 2008 at 8:38 am
[...] entrevista com a dra. Jill Bolte Taylor na edição 2089 da revista Veja. Ela é autora do livro A cientista que curou seu próprio cérebro, que eu já li e fez parte de uma promoção no blog. Em um trecho da entrevista, ela fala sobre o [...]
dezembro 17th, 2008 at 12:05 pm
Olá!
ainda não li o livro, só li sobre ele… eu tive um problema de saúde sério há 7 anos atras, e lendo a hitória e os relatos dela, tenho certeza que tive um derrame na época… é uma história longa triste e alegre. E tipo não tive ajuda na época, inclusive não sei se foi causado por má medicação, pq tem detalhes que não consigo lembrar, ordens de acontecimento não consigo lembra bem. E até hoje se eu falo algo sobre e então agora que tenho certeza que tive um derrame, ninguém acredita principalmente minha familia.
Na época pedi p/ verificar algum problema na minha cabeça, só que, como eu não escutava mais um certo estalo (um dos vários sintoma que me esforcei para relar) o medico falou que estou melhor e não é necessário… cortei vários detalhes. Como já faz 7 anos nem sei se um exame ( não sei como fala) acusaria já que o cerebro vai modificando…e se poderia me ajudar hoje, que já sobrevivi praticamente sozinha. Tenho muitas revoltas. A história é longa.
Se puder me ajudar de alguma forma.
Lúcia
dezembro 17th, 2008 at 12:15 pm
Lúcia, você deve procurar um neurologista de confiança. Pergunte para amigos, conhecidos, colegas, se conhecem algum bom profissional na sua cidade ou região. Vá ao médico, conte com calma todos os detalhes que você lembrar, mesmo que seja longo. Quanto mais informações você oferecer ao médico, mais fácil fica para ele decidir a conduta a tomar. Explique que você que entender o que acontecer e saber se ainda existe algum risco ou sequela. Explique também sobre o livro, que você reconheceu alguns dos seus sintomas. Faça todas as perguntas que quiser, esclareça todas as suas dúvidas. Um bom profissional poderá dizer o que aconteceu com você.
dezembro 26th, 2008 at 9:57 pm
Muito obrigada! Vou fazer!
dezembro 28th, 2008 at 4:49 pm
[...] livro – A cientista que curou seu próprio cérebro. Comentários por Felipe, Renata e Edu [...]
maio 10th, 2009 at 4:21 am
IRONIA DO DESTINO!!!
COISAS QUE NENHUM DE NÓS ESTAMOS LIVRES DE SOFRER. A CAPACIDADE DE ENFRENTAR PROBLEMA E RESISTIR A ELE, LUTAR É MUITO SINGULAR.
BOA DICA DE LEITURA, ACREDITO!