Prevenção, diagnóstico e tratamento

Saúde e Educação

abr 16, 2008 Autor: Renata Pinheiro | Categoria: Geral

Não consigo ver o ser humano de forma compartimentalizada. Não acho possível tratar do corpo sem levar em consideração a mente, buscar alívio para uma dor física esquecendo do aspecto emocional. Essa visão se fortaleceu ainda mais desde que comecei a trabalhar em uma Escola Especial. Fazendo parte de uma equipe multiprofissional, é difícil ignorar que as necessidades de uma criança não se limitam à sua área de atuação, e você começa a perceber que pode fazer muito mais do que melhorar a postura ou a respiração, no meu caso, fisioterapeuta. Aprendi que posso utilizar estratégias da pedagogia para ensinar um movimento, que um posicionamento diferente vai facilitar a alimentação, que aprimorar a função respiratória vai melhorar o aproveitamento na sala de aula. Acredito que perceber a criança como um todo faça com que meu trabalho seja muito melhor do que se eu pensasse apenas nos seus movimentos. Como fisioterapeuta, sei que colaboro com o trabalho pedagógico e fonoaudiológico, assim como sei que várias profissionais da escola estão também favorecendo o meu trabalho. Os ganhos são todos das crianças, que têm a chance de alcançar um melhor desenvolvimento neuropsicomotor.

Mas isso também gera situações que passam a ser complicadas no dia-a-dia. Vejo constantemente crianças com grande potencial de desenvolvimento motor, extremamente prejudicados pelo comportamento. Vou explicar melhor com um exemplo:

Um dos alunos que atendo tem dois anos. Ele tem paralisia cerebral, com maior comprometimento dos membros inferiores. Fala poucas palavras e frases, que são suficientes pra comunicar suas vontades e necessidades até esse momento. Come sozinho. Senta, deita, segura brinquedos sem precisar de ajuda. Recentemente, aprendeu a engatinhar. Sua maior dificuldade é ficar em pé e andar. Mesmo com auxílio, o posicionamento de suas pernas, que tendem a permanecer cruzadas devido à espasticidade, dificulta a aquisição de equilíbrio e, consequentemente, a habilidade de mover seu corpo nessa posição. Para diminuir essa dificuldade, seu tratamento envolve massagem, alongamentos e treino do posicionamento correto e de como caminhar. Apesar do comprometimento, ele tem grande possibilidade de andar utilizando um andador e, posteriormente, sem nenhuma forma de apoio. Porém…

É uma criança adorável, sorridente, carinhosa, simpática. Desde que esteja à vontade, brincando como quiser. Durante as atividades dirigidas, é voluntarioso, não aceita ordens, quer fazer tudo do seu jeito. Não aceita o não, resiste às regras do grupo, tenta manipular os adultos se agredindo com tapas ou chorando. Sabemos que alguns familiares deixam que ele faça o que quer, no momento que quer; acham bonitinho quando ele reclama, sentem pena ao vê-lo chorar e voltam atrás em suas determinações. Aparentemente, o mesmo acontece em outra escola que frequenta.

Muitos profissionais podem acreditar que esses problemas não pertencem à sua atuação. Mesmo que a criança chore, realizam os exercícios, e consideram que assim seu trabalho está adequado, afinal seus músculos estão alongados e ele ficou em pé por alguns minutos. Mas não consigo pensar assim. Não posso ignorar que o fato de estar recebendo uma educação errônea em casa está prejudicando seu desenvolvimento motor, e que devo antes procurar solucionar esse problema. Devo trabalhar em conjunto com professoras, fonoaudióloga, psicóloga e, principalmente, a família, de forma que todos estejam conscientes e procurem agir da mesma forma: a mais adequada para a criança. Assim, será possível fazer com que ele aguarde até que todos os alongamentos tenham sido feitos para, então, brincar com a bola; ensinar que segurando a colher de outra forma, a comida não vai cair antes de chegar à boca; mostrar que ele pode, sim, fazer os movimentos corretos para andar, se tiver calma e atenção.

É mais difícil trabalhar assim? De certa forma, sim. Apesar de passar o dia em uma sala, é necessário estar atenta ao que acontece na sala de aula, no refeitório, na outra escola, em casa, na rua. Além de fazer um exercício físico, preciso pensar na alimentação, na aprendizagem, nas brincadeiras, na hora de dormir. Pensando bem, assim é mais fácil: tenho certeza que estou fazendo o melhor que posso em cada pequeno momento da vida dessa criança, não apenas nos dois atendimentos semanais.

Tratamento de enxaqueca e dor de cabeça sem remédios

abr 15, 2008 Autor: Renata Pinheiro | Categoria: Geral

Quem sofre de dor de cabeça ou enxaqueca conhece os transtornos que essas doenças trazem. Com o passar dos anos, é comum que o organismo não responda mais aos medicamentos, sendo necessário remédios cada vez mais fortes. Existe, porém, um tratamento não-medicamentoso para as chamadas cefaléias tensionais. A tensão muscular é decorrente de desequilíbrios musculares, causada por motivos como stress e má postura.

O tratamento utiliza um aparelho modificado a partir das placas oclusais (moldeiras) já utilizadas por dentistas. É um pequeno dispositivo de plástico chamado NTI, colocado nos dentes superiores ou inferiores, que combate a tensão através do posicionamento do maxilar.  O dispositivo é individual, moldado na boca de cada paciente, para um perfeito ajuste. Pode ser adaptado para uso associado a aparelhos ortodônticos.

Na maioria dos casos é utilizado apenas durante a noite, mas o uso pode ser extendido para durante o dia, dependendo da gravidade dos sintomas. Pode haver necessidade de troca do aparelho após um ou dois anos, por desgaste do material. Apesar de ser pequeno, o risco de engolir o aparelho é minimizado pelo ajuste adequado à arcada dentária. O dentista consegue moldar de forma que não seja possível retirar com a língua, o que poderia acontecer facilmente durante o sono.

Sua ação se dá através da reprogramação muscular, levando ao relaxamento especialmente do músculo temporal, pois a ação do músculo fica reduzida quando apenas os dentes incisivos centrais estão em contato. Além do uso como tratamento, o NTI pode atuar também na prevenção das crises de cefaléia tensional. O efeito se mantém durante o uso da placa. A dor pode retornar se a placa deixar de ser utilizada. Os resultados iniciais aparecem entre os primeiros dias e as primeiras semanas de uso.

O NTI deve ser indicado por um dentista, após a avaliação das causas da dor de cabeça ou enxaqueca.

Remédio para diminuir a gordura abdominal

abr 15, 2008 Autor: Renata Pinheiro | Categoria: Nutrição

O rimonabanto foi descoberto em 1994, e desde então foram realizadas pesquisas para comprovar os efeitos e a segurança. Foram mais de 50 estudos com 16 mil pacientes, que conseguiram redução de peso, diminuição da circunferência abdominal e melhora no perfil de gordura no sangue.

O rimonabanto atua sobre o sistema endocanabinóide, responsável pelo balanço energético e acúmulo de gordura no corpo. Os receptores desse sistema controlam a quatidade de glicose que entra nas células, de gordura produzida no fígado e a sensação de saciedade. Existem receptores no cérebro, tecido adiposo, fígado, músculos e tubo digestivo. Dessa forma, o remédio aumenta a sensação de saciedade, diminuindo a quantidade de alimentos ingerida; o metabolismo da glicose, com controle do nível do açúcar no sangue, e reduz os lipídios na corrente sanguínea.

O medicamento foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) há quase um ano, mas somente agora começa a ser vendido no Brasil com o nome comercial Acomplia. Na União Européia, já vem sendo usado desde 2006. O laboratório fabricante afirma que mais de 500 mil pessoas já utilizaram o medicamento. Para adquirir o medicamento, será necessário um receituário específico, já que a venda será controlada. Cada caixa para 28 dias de tratamento custará aproximadamente R$ 225,00.

Como qualquer medicamento, o rimonabanto não deve ser usado sem orientação médica. Os pacientes que podem se beneficiar com esse tratamento são obesos com índice de massa corporal (IMC) acima de 30 ou acima de 27 com fatores de risco associados. Apesar de ter sido considerada uma droga segura, causa efeitos colaterais, como náusea, tontura, ansiedade e depressão. Esses efeitos adversos, porém, não se mantém após a interrupção do uso. O Acomplia é contra-indicado para pessoas com depressão, histórico de doenças psiquiátricas ou que usem antidepressivos.

O Acomplia não deve ser visto como uma forma milagrosa de emagrecimento. Seu objetivo não é eliminar aquela gordurinha a mais, o famoso pneuzinho, que pode ser combatido com atividades físicas, alimentação balanceada e tratamentos estéticos. É uma medicação, para casos graves de obesidade, em que o acúmulo de tecido adiposo, especialmente no abdômen, leva a sérios riscos para a saúde.

Vacinação de Idosos contra a Gripe 2008

abr 14, 2008 Autor: Renata Pinheiro | Categoria: Geral

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe começará no próximo dia 26 de abril de 2008, com término em 9 de maio. Neste ano, a meta é que 80% dos idosos sejam vacinados, ou seja, mais de 14,5 milhões de pessoas. Até 2007, o objetivo era atingir apenas 70% das pessoas com mais de 60 anos. O slogan da campanha é:

Não deixe a gripe derrubar você. Vacine-se.

Mas porque a vacinação contra a gripe é importante?

O processo de envelhecimento envolve diversas alterações no organismo. Entre elas, estão prejuízos na função respiratória e na resistência imunológica. Há uma maior facilidade de contrair infecções e menor capacidade do organismo combatê-las. Uma gripe pode, facilmente, evoluir para doenças com complicações graves, chegando ao óbito.

As estatísticas mostram que a vacina contra o vírus influenza reduz 50% de doenças ligadas à gripe, 32% de internações hospitalares por pneumonia, 31% de mortes por pneumonia e gripe e 50% de mortes por doenças respiratórias.

Por que somente para idosos?

A gripe em jovens não tem, em geral, consequências sérias, pois o organismo é mais resistente e menos vulnerável ao vírus. O risco de complicações como pneumonia é muito menor do que entre idosos.

A vacina pode causar doenças?

A vacina é produzida com vírus mortos, o que significa que não causa gripe. Apenas pessoas com uma rara alergia à proteína do ovo não podem ser imunizadas, pois a vacina é produzida em embriões de galinha. O efeito inicia após duas semanas da vacinação. O que pode acontecer é a contaminação com o vírus da gripe antes desse período, enquanto o idoso ainda não está completamente imunizado. Fica, então, a falsa impressão de que a vacina foi a causadora da gripe.

O governo federal investiu R$ 150 milhões para a realização da campanha. O Brasil é um dos poucos países a oferecer gratuitamente a vacina, o que vem acontecendo desde 1999. Também é possível ser imunizado em clínicas particulares, porém a aplicação da vacina é paga.

Hiperatividade e corantes artificiais

abr 14, 2008 Autor: Renata Pinheiro | Categoria: Nutrição

A Foods Standard Agency (FSA), agência do governo britânica de controle de alimentos, solicitou a realização de um estudo sobre os corantes alimentares artificiais e a hiperatividade. A pesquisa foi concluída em setembro de 2007.

O estudo foi realizado com 300 crianças, separadas em três grupos. Cada grupo recebeu um tipo de bebida: um placebo, sem nenhum aditivo; uma com aditivos dentro da média diária de consumo e outra com grande quantidade de corantes e outros aditivos. Antes do consumo das bebidas, o nível de hiperatividade das crianças foi medido, a fim de que fosse comparado com a mesma medida após o consumo. Como resultado, as crianças que beberam o líquido com alto teor de aditivos e corantes começaram a agir impulsivamente e demonstraram diminuição da concentração.

Corantes artificiais

De posse dos resultados desse estudo, a Grã-Bretanha pretende que a Europa proíba o uso dos corantes que afetam o comportamento infantil. A presidente da FSA, Deirdre Hutton, defende que o estudo mostrou evidências suficientes para essa recomendação. Os corantes utilizados para a realização da pesquisa foram E102 (amarelo tartrazina), E104 (amarelo quinolina), E110 (amarelo crepúsculo), E122 (azorrubina), E124 (ponceau 4R) e E129 (vermelho 40). Já que a proibição implica ações da União Européia que poderiam levar vários anos, a soluão temporária seria a pressão dos ministros britânicos para que os fabricantes retirassem voluntariamente os corantes de seus produtos, o que já vem sendo realizado por algumas empresas. A FSA recomenda que pais de crianças com hiperatividade estejam atentos para o risco do uso dos corantes.

Ainda que o efeito desses corantes sobre o comportamento seja pequeno, podem ser retirados da dieta infantil sem nenhum risco, pois são substâncias que não possuem benefícios nutricionais. Além desse estudo recente, já é comprovado que vários corantes alimentícios artificiais são causadores de alergias e intolerância alimentar, especialmente o amarelo tartrazina.

Inibidores de sono

abr 9, 2008 Autor: Renata Pinheiro | Categoria: Geral

Já comentamos sobre o risco do excesso de trabalho e falta de descanso para os blogueiros. Já falamos sobre as horas de sono influenciarem no peso corporal. Agora, uma notícia do Terra chama atenção para quem passa horas em frente a jogos eletrônicos sem dormir.

Há algum tempo havia sido divulgado que jogadores faleceram após um longo uso do videogame ou computador. O lançamento de um produto no Japão, com o objetivo de ajudar os jogadores, pode acabar causando mais mortes. O Game Suppli é fabricado pela empresa japonesa Kyowa-Yakuhin. São dois suplementos: tabletes Blue Berry para combater o cansaço mental e ardência nos olhos e cápsulas de ácido DHA para aumentar a concentração. A venda é feita pela internet e em lojas de conveniência, apesar de ainda não haver provas científicas da ação dos suplementos.

Game Suppli

O suplemento de DHA é vendido como um potencializador das funções cerebrais, especialmente memória e concentração. O Ácido Docosahexaenóico é encontrado em diversos tecidos corporais, especialmente no cérebro. Sua função é promover a comunicação entre os neurônios. O leite materno contém o DHA, mas sua concentração depende da dieta da mãe; a principal fonte de ingestão desse ácido graxo é o peixe. O organismo também é capaz de produzir o DHA através de outros ácidos graxos, o ácido alfa-linolênico (AAL) e o ácido linoléico (AL).

A prática de procurar manter-se acordado por mais tempo não é exclusiva dos jogadores. Há quem tome café pra trabalhar até mais tarde, guaraná pra aguentar estudar na véspera de uma prova, bebidas energéticas para aproveitar uma festa até o fim, moderadores de apetite para conseguir dirigir por várias horas (os rebites utilizados pelos caminhoneiros).

Impedir que seu corpo demonstre cansaço pode fazer com que você não perceba que está chegando ao limite. A pausa para descanso e o sono são indispensáveis para permitir que o organismo se recupere das atividades do dia-a-dia. Utilizar frequentemente produtos para inibir o sono leva a um maior cansaço, falta de atenção e concentração, baixa imunidade, dificuldade de aprendizagem, alterações de comportamento e humor, lapsos de memória, entre outros problemas. É também uma das causas de acidentes de trânsito. Mais uma vez, fica o alerta: respeite os limites e necessidades do seu corpo; divirta-se, jogue, dance, dirija, trabalhe, mas descanse e durma para se recuperar e evitar consequências graves.

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