Neuroplasticidade e novos neurônios
Uma das coisas que lembro de ter aprendido no colégio é sobre neurônios. A professora ensinou que eles eram as únicas células que não eram repostas durante a vida: você nascia com seus neurônios e os perdia, à medida que eles fossem morrendo, pelo avançar da idade ou por uma lesão. Isso justificava quando alguém sofria um acidente vascular cerebral ou um traumatismo craniano, por exemplo, e não se recuperava. Porém, não explicava porque outras pessoas, com lesões cerebrais semelhantes, conseguiam se recuperar. Mas, na época, não percebi isso; o que a professora falava era o certo e pronto.
Chego na faculdade, e dizem que você pode desenvolver novos neurônios durante a vida. E que um neurônio pode aprender a função de outro que sofreu lesão, o que é chamado de neuroplasticidade. Como assim, mudou tudo? Bom, saber que os neurônios se regeneram explica muita coisa. Inclusive, o porque de se fazer fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional depois de uma lesão.

Lembrei desse assunto quando li uma entrevista com a dra. Jill Bolte Taylor na edição 2089 da revista Veja. Ela é autora do livro A cientista que curou seu próprio cérebro, que eu já li e fez parte de uma promoção no blog. Em um trecho da entrevista, ela fala sobre o assunto:
O que sua experiência ensina aos médicos?
Que a afirmação de que seis meses é o prazo máximo para uma vítima de derrame recuperar determinada habilidade está totalmente errada. Os seis primeiros meses são os melhores, mas vi meu cérebro se recuperar durante oito anos. Já ouvi pacientes dizer, quinze anos depois do derrame, que estavam readquirindo movimentos. Além do mais, já se sabe que, após o derrame, algumas células cerebrais que sofreram o trauma interrompem suas conexões com outras células e ficam num estado de dormência, mas não estão mortas. As células que morrem são aquelas que entram em contato direto com o sangue do derrame. Os grupos de células que ficam adormecidas isolam-se para se proteger. Com o tempo, conforme aumentamos a estimulação, eles podem crescer, conectar-se à rede e voltar a funcionar. Isso sem falar na capacidade de adaptação das células cerebrais. Quando as células responsáveis por uma tarefa não podem mais realizá-la, passam a contar com a colaboração de outros grupos de células, desenvolvendo novas habilidades e compensando aquela que foi perdida. Quando se perde um dos sentidos, os outros tendem a ficar mais aguçados.Que avanços a medicina fez recentemente no estudo dos acidentes vasculares cerebrais?
Nos últimos dez anos, houve duas grandes contribuições científicas à crença na capacidade de recuperação constante do cérebro. A primeira vem do conceito de neuroplasticidade, em que o cérebro altera suas conexões conforme o tipo de estímulo. Antes, pensava-se que a estrutura do cérebro era definida na primeira infância, e não mudava. A segunda vem da descoberta de que novos neurônios crescem em locais estratégicos. Um exemplo: um alcoólatra de longa data pára de beber. Depois de três meses, novos neurônios começam a crescer no hipocampo, a parte do cérebro responsável por armazenar memórias recentes. Assim, ele terá um grande estímulo à aprendizagem. Até dez anos atrás, tínhamos como certo que não se formavam novos neurônios.
Você pode ler a entrevista completa no site da revista Veja.


fevereiro 19th, 2010 at 7:52 pm
A neuroplasticidade pode acontecer em indivíduos de qualquer idade e durante toda a vida.
Para mantermos nossos neurônios em “bom estado” precisamos exercitá-los a todo momento e usá-los também, pois tudo que não é usado acaba atrofiando.
“Cultive bons hábitos e seja escravo deles”.
Aprenda uma atividade nova a cada dia, dando preferência para assuntos que fujam da sua área de domínio, eu por exemplo: depois que me aposentei, procurei novas atividades como computador, música, escrever, viajar, hidroginástica. Elas fazem parte de minha rotina. Tenho certeza que meu cérebro vai demorar para enferrujar.
O seu cérebro irá agradecer se você não beber, não fumar, veja o nascer e o pôr do sol pelo menos duas vezes por semana, abrace uma árvore, invente uma estória, escreva uma metáfora. com certeza você terá informações para viver melhor.
Ronaldo Lírio.
fevereiro 23rd, 2010 at 9:36 am
Você está certo, Ronaldo. O cérebro precisa ser constantemente estimulado, desafiado. Dessa forma, sua saúde é favorecida!
julho 23rd, 2010 at 7:43 am
Rernata, você recomenda algum livro com exercicios para estimular áreas cerebrais?
julho 23rd, 2010 at 9:42 pm
Lucia, existem vários livros sobre como estimular o cérebro. Gosto muito do que a neurocientista Suzana Herculano-Houzel escreve, é muito simples entender o funcionamento do cérebro a partir de seus textos. Um livro sobre o assunto é Fique de bem com seu cérebro. Outra forma interessante de estimular o cérebro é com jogos. Um dos sites da dra. Suzana traz uma seleção destes jogos.
setembro 4th, 2010 at 5:49 pm
Dra Renata Pinheiro. sou uma mãe em angustia profunda!!! tenho uma filha linda,fisicamente normal, mas, que sempre apresentou uma dificuldade de aprender. Recentemente (2009) o 2º grau, mas desconhece o conteudo. Procuro desesperadamente em minha cidade, Rio de Janeiro, um profissional que trabalhe com Neuroplasticidade. Já percorrí alguns médicos (os mais afamados), psocológos, peicopedagogas, foniaudiólogos e nada de resultados. Agora ela está com um atendimento terapeutico, mas , creio que não é suficiente. Já não sei a quem recorrer. Por favor Dra Renata se senhora for do Rio, poderá atende-la?
Grata
Janaina
setembro 4th, 2010 at 6:02 pm
Janaina, infelizmente não posso ajudá-la, moro em outro estado.
outubro 18th, 2010 at 6:49 pm
Prezada Janaína,
Para melhorar o aprendizado Escolar de sua filha recomendo o Kumon (www.kumon.org.br). Inicialmente, o de Matemática e, após, alguns meses caso ela venha a gostar do método matrículá-la, também, no de Português.
O grau crescente de dificuldade do mesmo respeitando o ritmo de aprendizado do aluno proporcionará a sua filha a possibilidade de assimilar conteúdos cada vez mais desafiantes elevando a autoestima dela e preparando-a para novos aprendizados intelectuais e existenciais.
Recomendo, também:
- Fazer exercícios ou esportes em piscinas: hidroginástica ou natação. O contato com a água melhora o emocional e a natação trabalha diversos músculos do corpo sem hipertrofiá-los.
- Jogos: Resta um, Damas, Xadrez (melhoram a concentração);
- Quebra-Cabeça – começar com um de poucas peças, remontá-lo de vez em quando e quando ele não representar mais um desafio adquirir outro com o mesmo número de peças ou com um pouco mais de peças. Exemplo: 120, 250, 500, 750, 1000 (melhora a concentração e a percepção visual).
- Jogo da Memória: Começar com um de poucos pares e, periodicamente, passar para outro com mais pares (melhora memória e a concentração visual);
- Aprender Piano, Teclado ou Violino. Não precisa se tornar uma musicista. Apenas ter o prazer de aprender.
- Aprender Diferentes Esportes: Natação, Voley, Basquete, Patins, Bicicleta;
- Fazer cursos de desenho à mão. Há vários cursos bons, por exemplo, Daniel Azulay (no Largo do Machado)
- Fazer Cursos de Desenho no Computador: Corel Draw e Photo Shop
- Orar a Deus, diariamente, agradecendo o Dom da Vida e as oportunidades que ela oferece de aprendizado e crescimento interior!
Abraços,
Carlos Alberto
novembro 9th, 2010 at 4:42 pm
ola, sou novo neste site e gostaria de encontrar mais informações sobre o assunto. tenho uma filha de 1 ano, nasceu de 27 semanas e nescessitava de tratamento, ficou 36 dias na uti e teve 2 paradas respioratórias nesse tempo.após sair do hospital nao apresentou problemas mas com o tempo percebemos que não se desenvolvia motoramente.Não tem firmesa na parte superior do corpo,não fixa o olhar e ainda nao usa as mãos. Faz fisio ha 5 meses porem seu desenvolvimento ainda é lento.Exames demonstraram que lhe faltava materia cinzenta no cerebro, tambem apresentava uma forma de crise onde virava a cabaça para o lado direito junto com os olhos e se segurava com força como se fosse cair. com o tratamento ja apresenta melhoras mas ainda falta muito para ser normal.se alguem puder me ajudar com informaçôes agradeço.
janeiro 25th, 2012 at 10:55 am
Vi e achei interessante, pois li o livro “Curou o próprio cérebro”. Tive AVC, fiquei sem equilíbrio (não dirijo, não estudo, não cozinho, não saio) Leio, escrevo, mexo no computador, estudo online. Queria ser eu. Fazer o que sempre fiz. Trabalhava, digitava. Agora, fisioterapia, TV, livros, computador. Quero estimular meus neurônios e voltar a ser.
janeiro 30th, 2012 at 8:43 pm
Cleusa, além da fisioterapia, você já procurou a terapia ocupacional? Seria interessante para as questões de retorno às atividades da vida diária e de trabalho.