Livro “Faça do alimento o seu medicamento”
No ano passado, recebi da Ediouro, através da Agência Frog, um livro para ler e fazer uma resenha. O livro se chama Faça do alimento o seu medicamento, da Dra. Jocelem Mastrodi Salgado. A autora é pesquisadora e professora titular de Nutrição na USP.
Comecei a ler o livro com empolgação, certa de que ele traria diversas dicas sobre a alimentação e como usá-la em benefício da nossa saúde. Seria interessante, além de recomendar o livro caso eu achasse bom, poder compartilhar com os leitores do blog algumas orientações para patologias específicas.
O livro fala de diversas condições que podem ser prevenidas, controladas ou tratadas através de certos alimentos. As informações sobre os alimentos e as doenças são fundamentadas em pesquisas científicas recentes, o que garante credibilidade ao livro e à autora. Alguns dos assuntos abordados são obesidade, câncer, menopausa, hipertensão, diabetes, dor de cabeça e azia.
Em geral, leio os livros muito rápido. Tenho vontade de conhecer de uma vez todas as informações oferecidas pelo autor. Com esse livro, porém, foi bem diferente. Tive dificuldade para ler, e por várias vezes pensei em não chegar ao fim. Não que ele não seja bem escrito. Pelo contrário, traz uma linguagem acessível, mesmo sendo bastante completo e informativo. Nem pelo tema abordado, uma vez que me interesso por nutrição e como podemos nos manter saudáveis com uma alimentação equilibrada. O problema com ele aconteceu logo no início. Tudo começou quando li estes trechos:
A maior descoberta da pesquisadora Jocelem, no entanto, foi realizada no campo da reeducação alimentar e da perda de peso… Nasceu daí um composto alimentar à base de proteínas vegetais, consumido por mais de trezentas mil pessoas e hoje comecializado com o nome de Sanavita…
…Jocelem levantou a bandeira da idéia de que era preciso modificar os hábitos alimentares para obter qualquer mudança na saúde e no perfil dos nossos corpos.
Sempre condenou os regimes rigorosos que levavam a uma brusca perda de peso e cujos quilos retomavam semanas depois. É crítica feroz das promessas das dietas e diz que a única saída para perder peso e mantê-lo em níveis saudáveis é a adoção de novos hábitos alimentares…
Antes de continuar a leitura, decidi pesquisar sobre o produto. Descobri que a Sanavita é hoje uma linha com diversos produtos. Na descrição da forma de utilização, consta essa orientação:
É importante que você realize 5-6 refeições diárias e utilize os produtos Sanafit em no mínimo duas refeições principais (no café da manhã e no jantar, por exemplo).
- Para dieta de redução de peso: substitua ou complete 2 a 3 refeições diárias com Sanafit
- Para dieta de manutenção de peso: coma moderadamente, substituindo ou completando uma refeição por dia com Sanafit.
Já fiz várias dietas e programas de reeducação alimentar. Passei por médicos, nutricionistas e orientadoras desses programas. Com todas as informações que já recebi, com tudo o que já li, com a minha experiência, não acho válido o uso de substitutos para refeições. Veja bem, essa é a minha opinião. Não questiono o trabalho da dra. Jocelem. Tenho certeza de que ela desenvolveu o produto com base em estudos e pesquisas. Mas não acredito que uma boa reeducação alimentar inclua substitutos para refeições. Para aprender a se alimentar corretamente, em uma dieta para perda de peso, é necessário aprender a fazer escolhas adequadas de tipos e quantidades de alimentos. Substituir uma refeição por apenas um produto não ensina a fazer escolhas. Mais uma vez, na minha experiência, o que acontece quando se para de ingerir o produto é retornar ao padrão de alimentação anterior à dieta. Consequentemente, o peso volta a aumentar, gerando o temido efeito sanfona. O Sanavita pode ser muito melhor no aspecto nutricional, mas o vejo como uma alternativa a produtos como o Diet Shake, que era vendido pela televisão e, sim, eu experimentei.
Por tudo isso, pra mim, o livro perdeu o encanto. Lembrava de uma médica com quem consultei, em mais uma tentativa de perder peso. Ela orientou para que eu fizesse dieta, mas que não me preocupasse com festas, férias e outras ocasiões em que eu perdesse o controle. Se isso acontecesse e eu voltasse a engordar, poderia usar novamente o moderador de apetite que ela receitou para o início do tratamento. Esse era, segundo a médica, o método que ela mesma utilizava para se manter no peso ideal. Ou seja, nem ela, a médica que iria orientar o meu emagrecimento, fez uma verdadeira reeducação alimentar.
Não gosto de soluções fáceis. Não gosto de shakes e remédios. Sei que, em muitos casos, precisam ser utilizados. Mas eles devem atuar como um auxiliar, e gradativamente retirados para que o paciente aprenda a administrar sua alimentação e rotina para manter o peso sozinho, dentro da rotina do seu dia-a-dia.
Assim, li o livro todo com o pé atrás. As informações nele escritas são de grande valia para quem quer cuidar da sua saúde, e chego até a recomendar o livro. As dicas não são inventadas pela autora, são estudadas, pesquisadas e confirmadas por outros profissionais. Mas não posso deixar de dizer que considerei o discurso contraditório e, por isso, o livro como um todo perdeu a credibilidade para mim.


abril 22nd, 2009 at 10:22 am
Não compactuo do texto que li sobre o livro da Dra. Jocelem, eu tenho o livro li e compreendi o ponto de vista da autora, ela e nenhum Nutricionista recomenda a substituição de refeição por suplemento ou complemento como são os produtos da Sanavita.
A Sanavita é uma empresa séria e tambem não recomenda que se use os
produtos em substituição de nenhuma refeição.
Esses produtos que são testados cientificamente tanto na USP como na Unicamp, são complementos saudaveis que sim devem fazer parte da refeição com um acompanhamento através da recomendação de um profissional da area de Nutrição ou Nutrologo.
Por isso recomendo que qualquer pessoa que for usar um suplemento ou
um complemento alimentar se oriente primeiro com um profissional e não aceite recomendações de pessoas nada entendem de nutrição.
outubro 15th, 2009 at 3:10 pm
Embora o ideal hipocrático de fazer do alimento nosso medicamento me pareça correto, sua segunda parte, ou seja, de fazer do medicamento nosso alimento, nos dias atuais, em que os medicamentos são sintetizados e quimicamente alterados, passou a conflitar com a primeira, perdendo seu significado original, de quando os medicamentos eram obtidos diretamente da natureza. A alardeada “comprovação científica” dos medicamentos modernos não passa de um jargão comercial utilizado pelos laboratórios farmacêuticos, únicos que podem arcar com os ônus do processo técnico e burocrático para sua aprovação pelos órgão de saúde, e não constitui qualquer garantia de ausência de risco, uma vez que a qualquer momento pode ser constatada sua periculosidade, com a consequente retirada do mercado, após causar danos à salde dos usuários e dar muito lucro aos fabricantes. Empresas sérias foram responsáveis pela Talidomida, que causou a malformação congênita de mais de dez mil bebês na década de 60 e do Prexige, que rendeu mais de 50 milhões de dólares antes de ser retirado do mercado. Isto sem falar de dezenas, centenas ou até milhares de outros, cuja relação a ANVISA não publica, para não desacreditar o conceito de “cientificamente aprovado” que se tornou o principal ponto de venda dos medicamentos. A seriedade dos laboratórios está voltada primordialmente para os lucros, que os tornaram a indústria mais lucrativa do mundo.
Eu sigo ao pé da letra o preceito de Hipócrates, em seu sentido original, pois tenho 64 anos e há 25 não faço uso de medicamentos, valendo-me apenas de recursos naturais.
Parabéns pela análise clara, objetiva e imparcial.
outubro 22nd, 2009 at 9:42 am
Obrigada, Paulo. Acredito que é preciso ser cuidadoso com qualquer tratamento, tanto reconhecendo que medicamentos industrializados não estão isentos de riscos, quanto aceitando que, por vezes, os recursos naturais não são suficientes para a cura de alguma condição mais grave.