iPill: a pílula milagrosa?
A Philips está desenvolvendo uma pílula inteligente – a iPill: uma cápsula para medicamentos com tecnologia que permite liberar o remédio na qualidade e local mais favoráveis.
Um paciente que tenha uma doença no intestino, por exemplo, precisa tomar doses altas de medicamento. Isso porque parte desse medicamento se perde no processo de digestão e na circulação sanguínea, e somente uma porção chega ao local que realmente necessita de sua ação. Além disso, todo o organismo sofre com os efeitos colaterais causados pela exposição prolongada ao remédio.
Através do controle do pH, de tempo de digestão até o local determinado e de outras configurações feitas pelo médico, a iPill pode administrar o medicamento de diversas formas:
- uma grande dose em apenas um local,
- administração lenta ao longo do percurso do intestino,
- pequenas doses em diferentes áreas.
Essa é a parte boa da iPill. Mas ela tem alguns poréns.
O primeiro é relativo à divulgação que está sendo feita, e não à pílula em si. Muitos textos falam que “o medicamento vai chegar diretamente aos locais do organismo afetados por doenças”. É verdade. Em parte. Ele não vai chegar no dedão do seu pé, apenas no seu intestino. Parece óbvio, mas, para um público leigo, não é.
O segundo aspecto é em relação ao custo. A iPill traz duas possibilidades: ser reaproveitada ou descartável. O reaproveitamento dela seria complicado, uma vez que ela é eliminadanas fezes, precisando de uma esterilização cuidadosa. Por outro lado, o custo de uma pílula com microchip é alto, muito mais do que uma cápsula comum de remédio. Assim, o custo de um tratamento com ela, utilizando, por exemplo, uma cápsula por dia, seria muito alto. Considerando-se que muitas pessoas não tem acesso nem a remédios, imaginem para custear um tratamento assim.
Acredito que a iPill vá facilitar bastante o tratamento de algumas doenças, além de melhorar a qualidade de vida dos pacientes que as tenham. Porém, a decisão de usá-la será bem criteriosa, sendo aplicada apenas a casos de doenças graves e de difícil tratamento com medicamento convencional.


fevereiro 4th, 2009 at 11:03 pm
Fiquei com nojinho do reaproveitamento…
fevereiro 4th, 2009 at 11:45 pm
Eu também! Não foi nada agradável imaginar a situação enquanto escrevia o post…
fevereiro 6th, 2009 at 5:35 pm
Bem pior do que escrever o post é ter que higienizar essa pílula… eheheh
Ah! Deixei um lance pra ti lá no CronicaNet – http://blog.cronicanet.com.br/olha-que-coisa-maneira/
Caso tenhas um tempinho sobrando, participa!
Beijão Grande! e Ótimo fim de semana!
fevereiro 9th, 2009 at 9:44 am
Ah, isso é verdade! Fazer isso é muito pior que falar sobre…
Obrigada pelo selo!