Renata Pinheiro

Prevenção, diagnóstico e tratamento

Archive for the ‘Verdade ou Mentira’


Homem heterossexual não pega AIDS?

E o BBB10 continua sugerindo pauta pro blog

Comentando sobre sexo, prevenção de doenças e traição, Marcelo Dourado, um dos participantes, disse que homens heterossexuais não contraem HIV. Ele disse que soube dessa informação através de médicos que teriam afirmado que o risco de se contaminar com a AIDS é muito maior para homossexuais que praticam sexo anal do que para homens heterossexuais que não adotam essa prática.

Se Dourado estivesse certo, provavelmente hoje o número de mulheres casadas com AIDS não seria tão grande. A relação sexual sem proteção é um importante fator de transmissão do HIV, seja em relações homossexuais ou heterossexuais, através de sexo vaginal, anal ou oral. Pode haver um risco um pouco maior em alguma variação, mas o importante é que existe em todas. Se um parceiro – de qualquer sexo – estiver contaminado, existe o risco de contaminação durante o sexo sem proteção.

Camisinha continua sendo uma das principais formas de prevenção à AIDS, para homens, mulheres, gays, lésbicas, heteros, casados e solteiros.

É verdade que dinheiro é sujo?

Não precisa ser dinheiro conseguido em assalto, resultado de corrupção ou qualquer outro crime. As notas de dinheiro são sujas e podem causar problemas à saúde. As notas de valor mais baixo, como as de 1 e 5 reais, apresentam mais contaminação, já que tendem a ser mais manipuladas do que notas de 50 e 100 reais.

O dinheiro em circulação é contaminado por uma grande quantidade de bactérias. Parte delas mostra que o hábito de lavar as mãos após ir ao banheiro ainda não foi assumido pela população. Várias doenças podem ser causadas, como intoxicação alimentar, infecção intestinal, doenças de pele e respiratórias.

Para evitar que essas bactérias causem infecção, é importante seguir cuidados básicos de higiene: sempre lavar as mãos antes de se alimentar e após ir ao banheiro e não levar as mãos sujas aos olhos nem à boca.

Segurar o xixi faz mal?

Você acompanha o Big Brother Brasil 10? Se sim, sabe que a prova do líder dessa semana é de resistência. Nesse momento, duas participantes (Elenita e Eliane), disputam a liderança há mais de 17 horas. A prova tem várias regras, e uma delas é de que não é permitido que se vá ao banheiro. Eliane reclama muito da vontade de fazer xixi e diz que está com dor na bexiga. Então, surge a dúvida, segurar o xixi faz mal?

A bexiga é um órgão que funciona como um reservatório da urina. Ela tem um limite de capacidade, que varia para cada pessoa. Quando esse limite está prestes a ser atingido, surge a necessidade de eliminar o líquido. Popularmente falando, é a vontade de fazer xixi.

Quando se mantém a urina muito tempo na bexiga, há um risco maior de desenvolver infecção a partir de bactérias que deveriam ser eliminadas do organismo e que acabam tendo mais tempo para se proliferar.

A distensão da bexiga por tempo prolongado também pode causar uma lesão nos nervos que a controlam, causando dificuldades para urinar. Outro efeito secundário é que o aumento constante na pressão no interior da bexiga pode levar a uma dilatação dos rins, prejudicando sua função.

Cada pessoa tem uma necessidade diferente em relação à frequência das idas ao banheiro, e essa necessidade deve ser observada. Em geral, há uma recomendação de que não se segure a urina por mais de 3 a 4 horas, mas esse tempo pode ser bem menor para quem ingere muito líquido, por exemplo. O importante é que, depois de sentir vontade, não se demore muito a ir ao banheiro.

Ter plantas no quarto prejudica a saúde?

Há mais de 6 meses, tenho um bonsai em meu quarto. Nesse tempo todo, percebi que ele não trouxe nenhum prejuízo pra minha saúde. Pelo contrário, acordar e cuidar dele parece fazer o dia começar melhor.

Mas, mesmo sabendo que não está me fazendo mal, lembro sempre de que, quando criança, ouvi diversas vezes que ter plantas dentro do quarto fazia mal. Plantadas em vasos ou em buquês, poderiam até matar quem dormisse no quarto fechado, pois diminuiam a quantidade de oxigênio no ar. Anos depois, aprendi que o consumo de oxigênio e a liberação de gás carbônico de uma planta é bem menor do que a de um animal ou ser humano. Portanto, uma planta em um quarto fechado não causaria nenhum problema.

Mesmo com essa explicação, algumas pessoas ainda afirmavam que não se sentiam bem ao dormir em um ambiente com plantas. No caso de alérgicos ao pólen, é fácil entender o porque. Mas também pode acontecer com quem não tem nenhuma alergia. Encontrei a explicação no blog Correio Ciência. Eduardo Crevelário de Carvalho explica que algumas plantas desenvolveram um sistema de defesa contra insetos parasitas. Para evitar que eles suguem a seiva e, consequentemente, as contaminem com vírus e bactérias, essas plantas desenvolveram a capacidade de liberar, durante a noite, uma substância chamada piretrina. A piretrina é um repelente natural, usado como base de inseticidas e repelentes que você encontra em supermercados. Porém, em um quarto fechado, a concentração de piretrina pode causar falta de ar, e aí está a origem do mal estar relatado por algumas pessoas. Para ler o texto completo sobre as piretrinas, leia o texto Faz mal dormir com plantas dentro do quarto?.

Portadores de Síndrome de Down: estéreis ou não?

Na semana passada, o Daniel Becher fez um ótimo texto falando sobre seu encontro com uma criança com Síndrome de Down e o quanto o momento com o menino foi importante para ele. O texto foi bastante elogiado, exceto por uma pessoa que entendeu que ele havia escrito um endeusamento a quem tem Síndrome de Down. Não vou discutir aqui a crítica que ele fez. Lendo o texto, não vejo nenhuma espécie de endeusamento ou apologia. Você pode ler o texto clicando aqui, para tirar suas próprias conclusões.

Mas o que mais me chamou atenção no comentário com a crítica foi o seguinte trecho:

Se houvesse mais trissomias por aí você não teria nascido, já que são estéreis, e você não estaria digitando nesse computador, que foi inventado e desenvolvido por dezenas de pessoas com QI acima de 70.

A esterilidade de pessoas com Síndrome de Down ainda é um mito até mesmo entre profissionais da área da saúde. Até um tempo atrás, se acreditava que todo portador da também chamada Trissomia do 21 era estéril. Acabou se descobrindo que isso não é uma regra.

Um terço das mulheres com Down não são estéreis, ou seja, podem ter filhos. São 30 os casos registrados no mundo de bebês nascidos de mulheres com Down. A chance de que o bebê também nasça com Síndrome de Down é de 50%. Há um exemplo no Brasil: no ano passado, Maria Gabriela (que tem a síndrome) teve uma filha, Valentina. A menina, porém, não tem nenhuma deficiência.

Já os homens com Síndrome de Down são, em sua maioria, estéreis. Existem apenas 3 casos documentados em todo o mundo de homens com Down que tiveram filhos. Apesar de muitos médicos e cientistas ainda considerarem que esse número não é significativo, há que se levar em consideração que podem existir outros casos não registrados.

É importante também considerar que o pequeno número de bebês nascidos de pais com Síndrome de Down pode ter ligação não apenas com a alta incidência de esterilidade. As famílias de pessoas com a síndrome, por muito tempo, as mantiveram sob estrito controle, sem que permitissem relações amorosas e sexuais. Isso vêm mudando com o passar dos anos, com mais informações a que os pais têm acesso e com a maior inclusão social das pessoas com deficiência, o que pode levar a novos e mais frequentes casos de gravidez. Assim, a educação sexual – principalmente a prevenção de gravidez e doenças – deve ser um tema abordado pelos profissionais de saúde e educação envolvidos com familiares, pacientes e alunos com Síndrome de Down e outras deficiências.

Enfim, não apenas o autor do comentário não compreendeu o sentido do texto do Daniel, como ainda escreveu uma informação errada.

Verdade ou mentira: Faz mal transar durante a mentruação?

Apesar de muitas mulheres sentirem-se incomodadas e evitarem o sexo durante a menstruação, os médicos afirmam: não existe nenhum problema.

A menstruação é a consequência da não fecundação do óvulo liberado durante o ciclo menstrual. As camadas do útero que foram preparadas para receber o embrião são descartadas, formando assim o sangue menstrual. Esse sangue, ao contrário do que se imagina, não tem sujeiras, é limpo. Portanto, não vai contaminar você ou seu parceiro, a não ser que você tenha alguma doença sexualmente transmissível (DST). Este é, aliás, o único porém: o período da menstruação deixa a mulher mais vulnerável a contrair infecções. Para evitar as DSTs, basta a proteção do preservativo.

Outra grande dúvida é se é possível engravidar durante a menstruação. É possível sim, mas é uma situação bastante rara. A mulher está mais predisposta a isso quando tem ciclo irregular e com intervalos curtos. Precisaria, então, ovular na mesma época em que está menstruando, o que é difícil de acontecer. Outro fator que dificulta ainda mais é que o sangue menstrual cria um ambiente desfavorável para os espermatozóides, o que evita que cheguem vivos até o óvulo.

Portanto, desde que com proteção, afirmar que transar durante a menstruação faz mal é mentira.