Prevenção, diagnóstico e tratamento

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Saúde da Criança: Segurança no Carro

out 7, 2008 Author: Renata Pinheiro | Filed under: Saúde da Criança

Há uns três anos, trabalhando na APAE, eu e a outra fisioterapeuta da instituição estávamos preocupadas com a forma como as crianças eram transportadas no ônibus escolar. Algumas tinham paralisia cerebral ou atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, exigindo que continuassem utilizando cadeirinhas para bebê por não conseguirem manter-se sentadas. Em alguns casos, tínhamos dificuldade em aliar o posicionamento correto com a segurança no transporte, sem poder esquecer o espaço disponível e a acessibilidade para os alunos e os funcionários que trabalhavam nos ônibus.

Buscando unir tudo isso com a Lei, buscamos o Código Nacional de Trânsito. Porém, encontramos poucas informações: crianças menores de 10 anos não podem ser transportadas no banco da frente e bebês e devem utilizar cadeiras adequadas a seu peso e tamanho, presas ao banco. Mas que cadeiras eram as adequadas? Como adaptar as tais cadeiras às crianças com deficiência física ou atraso neuropsicomotor?

Para conseguir as melhores soluções, encontramos duas boas fontes de informação: a revista Cláudia, que na época trazia uma pequena reportagem sobre cadeirinhas e assentos para bebês e crianças, e o site da ONG Criança Segura. Descobrimos, então, os materiais mais adequados para garantir a segurança dos alunos. A direção da escola percebeu a importância do investimento, adquirindo o que foi solicitado. Eis os materiais que utilizamos:

  • Cadeirinhas comuns para transporte de bebês e crianças: como a escola já possuía esses modelos, apenas os adaptamos, reforçando os cintos de segurança, quando necessário, e acrescentando suportes para a cabeça, mantendo-a mais firme.
  • Cadeiras semelhantes às de bebê, feitas sob medida, para crianças mais velhas, adolescentes e adultos com paralisia cerebral.
  • Booster ou assento elevado: essa foi a maior descoberta durante a nossa pesquisa. O uso desse assento não é regulamentado pela Lei. Mas é uma ótima opção para crianças que já não ficam bem acomodadas nas cadeirinhas mas ainda não têm tamanho suficiente para serem protegidas pelos cintos de segurança comuns (entre 4 e 10 anos). Crianças com até aproximadamente 10 anos podem ser sufocadas pelo cinto de segurança comum no momento de uma freada. Isso acontece porque o cinto é projetado para pessoas mais altas; assim, o cinto não passa pelos pontos adequados em crianças. O assento elevado, ou booster, eleva a criança no assento, o que permite o melhor posicionamento em relação ao cinto. Além disso, ele conta com um dispositivo que ajusta ainda melhor o cinto de segurança, fazendo com que ele se mantenha nos pontos adequados.
  • Cinto de segurança de três pontas: eles já são obrigatórios, mas ainda não estão presentes em carros mais antigos. O cinto mais simples, somente abdominal, nao protege o tronco durante uma batida, permitindo que ele seja projetado para a frente. O cinto de três pontos garante mais segurança.
Depois de fazermos as alterações necessárias, ficamos muito mais tranquilas, tendo certeza de que as crianças estavam bem protegidas quanto à sua segurança e postura. Mas isso não se aplica apenas à um ônibus escolar de uma escola especial. Você deve ter esses cuidados com o seu filho, dentro do seu carro. Não é porque seu filho de 7 anos já é um mocinho-grandinho-esperto-com-bom-equilíbrio-e-você-dirige-bem que ele está a salvo de sofrer um acidente. Sei que é difícil convencer crianças a permanecerem sentadas, usarem cinto de segurança, usar cadeirinha… Mas é importante, muito, e evita consequências muito graves.

Saúde da Criança: Pré-Natal

out 6, 2008 Author: Renata Pinheiro | Filed under: Saúde da Criança

Já que estamos entrando na semana do Dia das Crianças, vamos falar sobre aspectos importantes em relação à saúde delas. E, pra começar, nada melhor do que falar sobre o início dos cuidados com sua saúde: o pré-natal.

Infelizmente, mesmo com todas as informações a que se tem alcance, muitas mulheres ainda acham que o pré-natal não é importante. E isso não acontece apenas no Brasil. Existem programas de tv por assinatura que falam sobre gestação e parto de mulheres dos EUA, e às vezes mostram casos de mulheres que só procuraram um médico na hora do nascimento.

Crédito da imagem

O pré-natal é essencial tanto para a saúde da mãe quanto do bebê. Através dele, procura-se assegurar que a gestante passe pelas mudanças em seu corpo e em seu organismo da melhor forma, mantendo a saúde após o nascimento de seu filho. Já para o bebê, o pré-natal garante não apenas um parto tranquilo como a possibilidade de prevenir diversos problemas de saúde que podem ser enfrentados durante toda a vida.

Veja alguns exemplos de como o pré-natal pode ajudar na saúde de uma criança:

  • O diagnóstico de má-formações ainda durante a gravidez, com a ajuda de exames de ultra-som, permitem que o tratamento seja planejado com antecedência, permitindo que as intervenções necessárias sejam realizadas precocemente. Em algumas situações, a correção de defeitos cardíacos ou neurológicos pode ser feita ainda dentro do útero. Casos de mielomeningocele, por exemplo, detectados na gestação, possibilitam que o parto seja marcado antecipadamente, com a presença de um médico neonatalogista, a avaliação por um neuropediatra logo após o nascimento e a cirurgia para correção ainda no primeiro dia de vida do bebê. 
  • O tratamento de infecções da mãe evita que o bebê também seja contaminado. Infecções podem levar a problemas graves para o bebê, dependendo da etapa da gestação em que ocorrer. Rubéola e sífilis, por exemplo, podem causar cegueira, surdez, paralisia cerebral e deficiência mental.
  • A orientação adequada de medicamentos que precisem ser usados pela grávida garante que o bebê não seja prejudicado por essas drogas. Existem muitos medicamentos que causam má-formação, como a talidomida, muito conhecida por originar má-formação de membros.
  • O tratamento de anemia da mãe pode evitar o risco de má-oxigenação para o cérebro do bebê, evitando uma das causas da paralisia cerebral.
  • O acompanhamento de pré-eclâmpsia, evitando que o quadro chegue à eclâmpsia, pode evitar o parto prematuro e o baixo crescimento do bebê.
  • A identificação da desnutrição ou do uso de drogas pela mãe possibilita o tratamento adequado, também evitando partos prematuros.
  • Descobrir doenças como a Síndrome de Down durante a gravidez não possibilita a cura da síndrome nem o início de um tratamento ainda na gestação. Mas os meses até o nascimento antecipam o processo de aceitação dos pais, a descoberta de informações, orientações profissionais, procura por grupos de apoio, e esses fatores facilitam a relação entre a família e o bebê após o nascimento.
Essas são apenas algumas das situações que envolvem o bebê e podem ser trabalhadas ainda durante a gestação. Trabalhando com crianças e adultos com deficiência mental e/ou física, especialmente paralisia cerebral, foi possível ver a quantidade de casos que poderiam ter uma evolução totalmente diferente com um pré-natal adequado. Nem todos os casos podem ser resolvidos, isso é certo. Mas já vi tantos bebês lindos, com deficiências graves que poderiam ter sido evitadas.
O caso mais marcante que conheci aconteceu ainda na faculdade. Uma mãe não estava fazendo o acompanhamento pré-natal. Seus bebês gêmeos nasceram prematuros, aos 6 meses de gestação. A mãe entrou em coma. Um dos bebês se recuperou bem e, aos 4 meses, pôde ter alta do hospital. O outro bebê, entretanto, teve sérios problemas de saúde. Com 3 meses de idade, pesava menos de um quilo. Provavelmente teria deficiência visual. Tinha má-formação do sistema digestivo. Se sobrevivesse, teria deficiências múltiplas. A família, carente e desinformada, abandonou os bebês, culpando-os pela situação da mãe. O processo de adoção foi aberto, mas era preciso esperar até que o gêmeo com maiores comprometimentos tivesse seu quadro estável para que os dois fossem adotados pela mesma família. Infelizmente, depois do estágio, perdi contato e nunca mais consegui informações sobre os bebês. Eles devem ter, hoje, 9 anos. Imagino que os dois tenham sobrevivido. Mas que um tenha paralisia cerebral severa. Acredito que tenham sido adotados por uma família que tenha mantido os irmãos unidos e que dê todo o suporte que precisam. É impossível saber exatamente o que teria acontecido se a história tivesse começado diferente. Mas é possível sim que, com uma simples consulta mensal ao obstetra, aquela mãe estivesse saudável com seus dois filhos.

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