Prevenção, diagnóstico e tratamento
Lendo os feeds esta manhã, um post do blog Matriz Ativa Online chamou minha atenção. Falava sobre o ReWalk, aparelho que permite que paraplégicos possam andar. Ao começar a ler, lembrei dos tutores longos, dispositivos bastante utilizados por quem tem sequela de paralisia infantil ou paralisia cerebral diplégica. Os mais antigos são aparelhos metálicos, pesados e muitas vezes desconfortáveis. Várias pessoas têm esse aparelho mas pouco o usam. Mas lendo o que o Cléber falou e assistindo o vídeo, vi que o ReWalk é bem diferente. Ele parece muito mais confortável e prático. Além disso, por ser computadorizado, não depende da força residual de alguns músculos para realizar os movimentos, já que são controlados por motores acionados por um controle remoto que fica no pulso. Assim, mais pessoas têm a possibilidade de se beneficiar com seu uso.
Assista o vídeo:
O vídeo mostra Radi, de 40 anos, que utiliza cadeira de rodas há 20 anos. Ele aparece utilizando o ReWalk para andar, subir e descer escadas, sentar e levantar, em casa, na rua, trabalhando e em momento de lazer.

O site da Argo Medical Technologies, empresa israelense fundada em 2001 que desenvolveu o produto, traz várias informações sobre o ReWwalk. O objetivo do dispositivo é restaurar a mobilidade a pessoas com paraplegia, ou seja, a perda de movimentos dos membros inferiores, permitindo ficar em pé, andar, subir e descer escadas, sentar e levantar, subir e descer rampas e dirigir. É um aparelho robótico motorizado, que é “vestido” pela pessoa, funcionando como um exoesqueleto. Com o auxílio de muletas para prover equilíbrio, a mudança do centro de gravidade e movimentos da parte superior do corpo controlam os movimentos produzidos pelo ReWalk. Ou seja, apesar de o movimento ser feito pelo aparelho, ele depende de movimentos da parte superior do corpo da pessoa que está usando, permitindo que ela se prepare para o deslocamento e o faça quando desejar. Pode ser usado diariamente, durante todo o dia. Os pré-requisitos para que uma pessoa possa usar o ReWalk são habilidade para usar as mãos e os ombros (para andar com muletas), ausência de problemas no sistema cardiovascular e boa densidade óssea.
A empresa fica em Israel, e ainda não há representação do ReWalk em outros lugares do mundo. O ReWalk deve ser comercializado somente a partir de 2010, e custará aproximadamente R$ 20.000,00. Infelizmente, é bastante caro, mas esse valor é o equivalente a algumas das cadeiras de rodas mais sofisticadas. A empresa possui um e-mail de contato (info@argomedtec.com) para informações sobre o produto.
Vendo o ReWalk, penso em cada paciente que atendi, como fisioterapeuta, e que não tinham mais a possibilidade de andar. Que vontade de ver cada um deles com seu aparelho. Cada um deles caminhando, fazendo o que tiverem vontade…
Essa é uma das mais recentes descobertas dos pesquisadores: uma substância contida no veneno de uma aranha tem propriedades neuroprotetoras, ou seja, de proteção aos neurônios (células do sistema nervoso).
A aranha Parawixia bistriata vive no cerrado brasileiro. Já havia sido estudada por biólogos, que analisaram o comportamento do animal. Agora, porém, outros cientistas encontraram no seu veneno a substância parawixina1, assim batizada em homenagem ao nome da aranha.
A parawixina1 poderia impedir a morte de neurônios, através de um processo de retirada do excesso de neurotransmissores das células. Os neurotransmissores são substâncias químicas produzidas por nosso corpo e liberadas por neurônios, que ativam ou bloqueiam outros neurônios ao redor. Dessa forma, os cientistas poderiam desenvolver tratamentos para doenças sem cura, como Alzheimer e esclerose lateral amiotrófica.
A pesquisa foi feita por profissionais da USP de Ribeirão Preto. Andréia Fontana estudou as propriedades de neuroproteção da parawixina1 em ratos, como trabalho de doutorado, orientada por Wagner Ferreira dos Santos e Joaquim Coutinho-Netto.
Hérnia é uma protrusão (protuberância) do conteúdo do abdômen (órgãos e/ou tecido adiposo) através da camada de músculos que o envolve.
A hérnia causa dor no abdômen. A dor piora após muito tempo em pé, durante a evacuação ou micção, tosse e gravidez, ou seja, situações de esforço que sobrecarregam a parede abdominal. Em alguns casos, é possível perceber a protuberância sob a pele.
Nos casos mais graves, a dor é acompanhada de febre, vômitos e impossibilidade de eliminar fezes e gases.
O diagnóstico é clínico, ou seja, com base nas informações de sintomas relatados pelo paciente e sinais percebidos pelo médico. Exames de imagem, principalmente o ultrassom, são utilizados para confirmar o diagnóstico e verificar o estado da hérnia.
A hérnia é causada por fraqueza ou lesão na parede abdominal, o que permite que a forte pressão interna do abdômen “empurre” seu conteúdo em direção ao exterior.
Elas podem ser congênitas (o bebê já nasce com ela) ou adquirida em qualquer idade.
O esforço físico pode piorar a hérnia quando já existe fraqueza da parede do abdômen. Fatores que podem agravar a hérnia são: levantamento de peso, exercícios abdominais, tosse crônica, obesidade, prisão de ventre, doença na próstata, gravidez e trabalhos braçais.
As hérnias abdominais dividem-se em crural (próxima à coxa), epigástrica (região do estômago), incisional (incisão de cirurgia), inguinal (na virilha ou na bolsa escrotal), umbilical (através do umbigo, área naturalmente sem proteção muscular) e incomum (ciática, de Littre, lombar, obturadora, perineal, de Richter e de Spigel).
Além das hérnias abdominais, hérnias podem acontecer nos discos intervertebrais, no tórax e no crânio.
A hérnia redutível é aquela que “desaparece” quando se está relaxado, deitado, ou quando empurrada.
A hérnia irredutível é a que não cede em nenhuma situação de relaxamento ou compressão. Esse tipo de hérnia necessita de tratamento cirúrgico urgente, pois causa sintomas mais fortes e leva a comprometimentos graves. Suas características são dor local forte e incapacidade de evacuar e eleiminar gases. Se não for tratada com rapidez, pode levar à perfuração intestinal e choque.
Quando o orifício pelo qual a hérnia está passando é pequeno, o conteúdo abdominal pode não conseguir retornar após passar por ela, caracterizando assim uma hérnia estrangulada. A circulação sanguínea para essa alça do intestino fica comprometida, podendo levar à necrose (morte) de parte do órgão.
O principal tratamento de hérnia é cirúrgico. A cirurgia é feita de forma que o conteúdo protuberante seja novamente posicionado ou removido, dependendo do comprometimento, e o fechamento da abertura que permitiu a passagem da hérnia.
O tratamento conservador consiste em evitar os esforços que agravam o quadro e fortalecer a parede abdominal. Entretanto, a herniação tende a se agravar com o passar do tempo, sendo por fim necessária a cirurgia. Quanto antes ela for feita, menores os riscos de complicações da hérnia.
A metahemoglobinemia, também conhecida como meta-Hb, é caracterizada pela conversão da hemoglobina em metahemoglobina em grande quantidade. A metahemoglobina é incapaz de se ligar ao oxigênio e transportá-lo aos tecidos.
A metahemoglobinemia pode ter como causas deficiência enzimática congênita, infecção generalizada ou intoxicação. Os principais agentes tóxicos são: 4-dimetilaminofenol, anilina, benzocaína, cloratos, clorobenzeno, cloroquina, cobre, cromatos, dapsona fenazopiridina, desinfetantes, fenacetina, giz de cera vermelho, guaiacol, hidralazina, lidocaína, metoclopramida, naftaleno, nitratos, nitritos, nitrobenzeno, nitrofenol, nitroglicerina, nitroprussiato de sódio, paracetamol, peróxido de hidrogênio, piperazina, prilocaína, primaquina, produtos de combustão, quinina, quinona, resorcinol, sulfonamida, sulfanilamida, tintas de tecido, triclorocarbanalida e vitamina K sintética.
A principal característica da metahemoglobinemia é a cianose (pele azulada ou acinzentada). Isso pode causar dúvidas quanto ao diagnóstico, pois a cianose é também uma característica de algumas doenças cardíacas e pulmonares. O tom da pele não se altera mesmo quando o paciente recebe oxigênio através de máscara ou catéter.
A má oxigenação causa sintomas como dor de cabeça, fraqueza, taquicardia, dor no tórax, dificuldade para respirar e alterações mentais. A falta de tratamento leva à anemia, insuficiência cardíaca e doenças respiratórias.Sem atendimento adequado, pode evoluir para coma e morte.
Outra característica importante da metahemoglobinemia é a coloração do sangue. Ao ser exposto ao ar, o sangue permanece com uma cor marrom semelhante ao chocolate. Frequentemente, essa é a característica que permite que o diagnóstico seja definido.
O principal tratamento para a metahemoglobinemia é o uso de Azul de Metileno. Esse medicamento é utilizado também em outros casos de diminuição da oxigenação. Ao mesmo tempo em que o Azul de Metileno é administrado, deve-se usar também oxigênio e investigar os agentes tóxicos, quando for o caso.
Pode ser necessário fazer também descontaminação gastrintestinal ou cutânea (da pele). Além disso, se o Azul de Metileno não puder ser usado ou não solucionar o problema, outros tratamentos que poderão ser utilizados são exsanguineotransfusão (substituição do sangue do paciente por sangue de doador) e oxigenação hiperbárica.
Quanto maior o tempo em que o paciente permanecer com hipóxia (diminuição da oxigenação), maiores os riscos de lesão nos órgãos.
Falei no post anterior que fui ao Hemosc para coletar uma amostra de sangue, pois quero ser doadora de medula. E falei que depois iria contar como foi essa história.
Passei boa parte da adolescência esperando ansiosa o dia em que poderia doar sangue - a idade mínima é 18 anos. Era uma vontade muito grande que eu tinha, um sonho, de poder ajudar um pouquinho a melhorar a saúde de alguém que eu não conhecesse.
Logo depois que fiz 18 anos, descobri que precisaria usar marcapasso. Entre o diagnóstico, a cirurgia e os primeiros meses de cuidado, adiei mais uma vez os planos de doar sangue. Quando, enfim, tive certeza de que estava bem, procurei um banco de sangue. Pra minha surpresa, o marcapasso era uma contra-indicação para a doação. Fiquei tão frustrada que até liguei pro cardiologista pra confirmar se o que falaram era verdade. E era…
Nesse tempo todo, eu também tinha vontade de doar a medula óssea. Mas, já que não podia doar sangue, também não poderia doar medula. Bom, isso era o que eu pensava. Talvez por medo de ouvir mais uma vez que não poderia ser doadora, nunca fui confirmar isso.
Até que hoje o Daniel falou sobre o Cauã. Ele conheceu o menino e a mãe na empresa onde trabalha. O Daniel queria ir até o Hemosc para fazer o teste de compatibilidade para doação de medula, e perguntou se eu queria ir também. Eu queria sim, pro Cauã, pra outra criança, pra qualquer pessoa que precisasse. Mas eu não poderia. Então ele disse que a única restrição era pra quem usasse insulina. Liguei pro Hemosc pra tirar a dúvida. E… Dessa vez, o marcapasso não era impedimento! Eu poderia sim, junto com ele, fazer a coleta da amostra de sangue!
Fizemos isso hoje mesmo, na hora do almoço. Em poucos minutos, depois de umas perguntas e uma espetadinha de agulha, dei um passo pra realizar o sonho de tantos anos. Graças ao Daniel ter insistido para que eu ligasse e perguntasse se poderia doar, agora é só esperar e torcer pra que sejamos compatíveis com algum dos muitos pacientes esperando pra fazer o transplante de medula. E se for o Cauã, melhor ainda!
Se você também mora em Santa Catarina, já deve ter lido em um jornal ou visto na tv o Cauã. Mas pra você que não mora aqui, vou contar quem é ele. O Cauã é esse menino fofo:

O Cauã Amandio de Souza tem 1 ano e 5 meses. Ele tem uma doença chamada Granulomatose Crônica.
A granulomatose crônica é uma doença hereditária rara. Ela faz com que os glóbulos brancos (células de defesa do sangue) não consigam eliminar alguns vírus e bactérias, causando repetidas infecções e afetando o fígado, o baço e o pâncreas.
O tratamento mais efetivo para a granulomatose crônica é o transplante de medula óssea. E é isso que a família do Cauã está pedindo: que você procure o banco de sangue de sua cidade. Se você se dispuser a doar sua medula, ainda que ela não seja compatível com a do Cauã, poderá salvar a vida de outras pessoas.
A doação de medula óssea é a chance de cura para pessoas com leucemia e outras doenças do sangue, pois é na medula que são formadas as células do sangue.
Pessoas saudáveis entre 18 e 55 anos podem doar sua medula. Para isso, devem seguir esse procedimento:
O Fernando também fez um post falando sobre o Cauã. Ele mostra um panfleto que explica sobre a doação de medula óssea. Clique aqui para ler.
Enquanto não encontra o doador compatível, Cauã precisa usar um medicamento que custa 100 mil reais por dose, o Interferon Gama. Esse medicamento normalmente não é fornecido pelo SUS (Sistema Único de Saúde), mas depois da mobilização iniciada em um programa de tv, Cauã está recebendo as doses.
E sim, eu fui ao Hemosc coletar sangue para o teste de compatibilidade. Mas isso é assunto pra outro post.