Você já se encontrou em alguma situação em que precisava reconhecer alguém e não tinha como ver o rosto? Isso pode acontecer se você estiver em um lugar cheio de gente, ou a pessoa que você acha que é aquela sua amiga está de costas, ou o ambiente está escuro. É difícil ter certeza de que é quem você está pensando, não? Você pode recorrer a outras características, como o cabelo, as roupas, a voz, o corpo, a forma de andar ou se movimentar. Mas nada parece tão eficiente quanto as feições do rosto.

Agora imagine não conseguir reconhecer rostos… Várias pessoas vivem essa situação, pois têm uma desordem rara chamada prosopagnosia, também conhecida como cegueira para feições. Apesar de ver os rostos, elas não conseguem reconhecê-los. É como se estivessem olhando uma outra parte qualquer do corpo, como os joelhos ou ombros. Você conseguiria reconhecer todos os seus familiares olhando apenas para essas partes? Ou então, há quem compare com pedras, todas muito parecidas.

É mais ou menos assim que alguém com prosopagnosia perceberia Elvis Presley, Marilyn Monroe e Charlie Chaplin.

É mais ou menos assim que alguém com prosopagnosia perceberia Elvis Presley, Marilyn Monroe e Charlie Chaplin.

A causa da prosopagnosia é uma lesão no cérebro, entre os lobos temporal e occipital. Mais especificamente, a região atingida é a área fusiforme da face, responsável pela percepção da face. Essa lesão pode acontecer no adulto a partir de um traumatismo craniano (trauma cranioencefálico), derrame (acidente vascular cerebral) ou doenças degenerativas. O mesmo pode acontecer em crianças. Há ainda casos congênitos (desde o nascimento), possivelmente hereditários (herança familiar). Ou seja, se o pai ou a mãe tem prosopagnosia, o filho também pode ter.

A prosopagnosia tem diversos “graus”. Existe a dificuldade em reconhecer apenas pessoas que não façam parte do convívio diário, não reconhecer familiares próximos e até mesmo não reconhecer sua própria imagem no espelho. Pode também estar associada à incapacidade de reconhecer objetos como carros e lugares. Pessoas que já nasceram com a desordem, ou que a adquiriram durante a primeira infância, podem nem perceber que a tem. Muitos acreditam que essa é a forma normal de perceber as pessoas, como figuras sem rosto.

O tratamento da prosopagnosia envolve auxiliar o paciente a descobrir novas formas de reconhecimento do rosto, através de outras características. Durante a infância, as professoras são fundamentais nesse processo, desenvolvendo estratégias para que a criança identifique seus colegas e favorecendo a interação com eles.

Este é um dos posts com temas vistos em programas de tv sobre medicina.