Esclarecendo sobre saúde

Archive for Março, 2008


O sr. Daniel, proprietário do Blog do Becher e meu namorado, convidou pra participar do meme dos cinco livros que eu gosto e outro que eu deixaria apodrecendo na estante. Claro que o convite veio por saber o quanto gosto de ler. Diferente dele, leio qualquer livro, meu, de biblioteca, emprestado ou alugado. Ele mesmo já emprestou alguns, e tem um da lista dele que estou de olho pra pedir emprestado também.

Gosto de livros de vários estilos, principalmente romances. Mas vou me ater ao assunto do blog e escrever sobre meus cinco livros preferidos da área da saúde e o que nunca deveria ter comprado.

Cinco livros que eu gosto:

  • Fisioterapia em Pediatria, Roberta B. Shepherd
    Comprado por indicação de uma professora da faculdade, fica sempre por perto até hoje. Desde a primeira folheada, olhando figurinhas, percebi que não conseguiria deixar de querer trabalhar com crianças, apesar de ter descobertos diversas áreas interessantes dentro da Fisioterapia.
  • Descomplicando: Neuroanatomia Clínica, Stephen Goldberg
    Ainda na faculdade, época das temidas provas de Neurologia, quando muita coisa ainda dependia de decoreba - e minha memória é péssima. Mil e um nomes pra lembrar e funções pra identificar. E um livro pequeno (pouco mais de 100 páginas), com explicações resumidas, em linguagem simples, foi mais eficiente que folhas e mais folhas de anotações e livros gigantescos.
  • Mentes Inquietas, Ana Beatriz Barbosa Silva
    O curso de Fisioterapia foi essencialmente sobre a saúde física dos pacientes. Alterações de comportamento, transtornos psiquiátricos, deficiência mental, eram apenas citados pelos professores. Já trabalhando em APAE, a falta dessa teoria dificultava a prática. Mentes Inquietas permitiu que eu compreendesse melhor os alunos com hiperatividade e déficit de atenção. Os atendimentos deixaram de ser tensos e as crianças e eu passamos a ter um relacionamento melhor e mais divertido.
  • Neurociência para Fisioterapeutas, Helen Cohen
    Adoro Neurologia, tanto quanto Pediatria. Mas é uma área complicado, que precisa de estudos constantes. Esse livro é completo, mas não difícil de ler. É outro que fica por perto, pra tirar dúvidas ou relembrar assuntos esquecidos.
  • Atlas Colorido de Síndromes da Malformação Congênita, Michael Baraitser e Robin M. Winter
    Esse é meu livro-técnico-sonho-de-consumo. Há anos quero comprá-lo, mas o preço (quase R$ 200,00) faz com que ele se mantenha na lista de desejos. Já usei o livro em biblioteca, e mais por curiosidade de aprender sobre síndromes que necessidade (na falta dele, o Google resolve), gostaria de tê-lo em casa. Por ser um atlas colorido, não adianta fazer cópia - só de um ou outro capítulo, claro, afinal xerox de livro inteiro é pirataria! ;) Mas ainda hei de comprar…

Livro que eu deixaria apodrecendo na estante:

  • Fisioterapia Respiratória Básica, Dirceu Costa
    O livro não é ruim. Até foi bastante útil durante um tempo. Mas depois de fazer um curso de Reequilíbrio Tóraco-Abdominal (RTA), a visão sobre a Fisioterapia Respiratória que eu tinha foi radicalmente mudada, e as técnicas tradicionais ficaram pra trás. As técnicas ficaram pra trás e o livro foi pra uma prateleira qualquer, saindo só agora pra, após uma longa procura, pra conferir o nome.

Pra continuar o meme, convido:

Dinha, do Meus Frutos, mãe dos fofos Yuri e Caio. Acompanho o blog há bastante tempo e fico feliz por cada conquista do Caio e as demonstrações de que o Yuri é um menino mais do que especial.

A Veridiana, do 30 & Alguns. Gosto muito de como ela escreve, não só nesse, mas também nos outros blogs. Através de suas sugestões de posts, conheço outros blogs e aprendo mais inclusive sobre saúde.

Chris, da Casa da Cris, que gosta tanto de livro que acaba de publicar um. Se for tão bom quanto o blog, será um sucesso!

Síndrome da deleção do cromossomo 3p

Mar 28, 2008 Author: Renata Pinheiro | Filed under: Síndromes

A síndrome da deleção do cromossomo 3p (ou síndrome do cromossomo 3p-) é pouco conhecida. É uma desordem rara causada pela perda (deleção) de um pedaço do cromossomo 3 (braço curto do cromossomo).

Fenótipo da síndrome da deleção do cromossomo 3p

As principais características da síndrome são:

  • Deficiência mental
  • Hipotonia
  • Crescimento reduzido durante a gestação
  • Polidactilia
  • Atraso neuropsicomotor
  • Alterações musculoesqueléticas
  • Hérnia umbilical
  • Deformidade dos pés (ausência do arco plantar)
  • Murmúrio cardíaco
  • Malformações do intestino
  • Testículos elevados
  • Bexiga hipoplásica (crescimento ou desenvolvimento incompleto)
  • Ureteres hipoplásicos
  • Hipogonadismo (infantilismo sexual)
  • Cistos renais
  • Desordem na mielinização da substância branca
  • Deformidades craniofaciais
    • Microcefalia
    • Parte posterior do crânio plana
    • Pálpebra superior caída
    • Sobrancelhas unidas
    • Nariz pequeno
    • Malformação das orelhas
    • Implantação baixa das orelhas
    • Maxilar inferior pequeno
    • Narinas antevertidas
    • Cantos da boca voltados para baixo
    • Face triangular
    • Cabeça alongada
    • Ponte nasal proeminente
    • Lábios finos
    • Espaço aumentado entre o nariz e o lábio superior
    • Testa alta
    • Coloboma da íris (má-formação que pode causar problemas de visão)
    • Espaço entre as pálpebras inclinado para cima
    • Olhos alongados para os lados
    • Fechamento de uma ou das duas cavidades nasais posteriores
    • Epicanto (prega no canto interno dos olhos, que causa a falsa impressão de estrabismo)
    • Palato alto

Outras características menos comuns também podem estar presentes:

  • Sutura metópica (linha de fechamento do crânio) proeminente
  • Canal pré-auricular
  • Fissura de palato
  • Defeitos cardíacos
  • Defeito do septo ventricular
  • Válvula mitral dupla
  • Canal atrioventricular
  • Atresia da válvula tricúspide
  • Mesentério comum
  • Anus localizado anteriormente
  • Anomalias renais

Outras doenças podem causar alguns desses sinais e sintomas, por isso é importante que se procure um médico. Com exames, o profissional de saúde poderá constatar se todas as características pertencem a essa síndrome e descartar outras possibilidades, conseguindo assim um diagnóstico correto.

O tratamento da criança com essa síndrome envolve diversos profissionais, de acordo com as características apresentadas: pedagogo, psicopedagogo, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, ortopedista, neurologista, cardiologista, urologista, além de pediatra.

Pseudo-acantose nigricans

Mar 26, 2008 Author: Renata Pinheiro | Filed under: Geral

Pele escurecida, espessa e com textura aveludada? Está acima do peso ou tem diabetes? Você pode ter pseudo-acantose nigricans (também chamada de nigricante ou nigrans).

Pseudo-acantose nigricansEsse nome feio caracteriza alterações na pele: hiperqueratose (excesso de queratina - espessamento da pele), hiperpigmentação (escurecimento) e alopecia (queda de pelos). Pode haver também prurido (coceira) na região. As áreas mais atingidas são pescoço, axilas, tronco, região inguinal e anogenital, submamária e umbilical. Em alguns casos, quase toda a pele pode ficar comprometida.

A pseudo-acantose nigricans é uma das quatro formas de acantose nigricans, que acontece em pessoas jovens, com obesidade e alterações metabólicas. Está frequentemente associada à diabetes e à resistência à insulina. Pode acontecer também após o uso de alguns medicamentos, inclusive corticóides e anticoncepcionais orais.

Os outros tipos são síndrome de Miescher (hereditária e benigna), síndrome de Gougerot Carteaud (em mulheres jovens) e a acantose maligna (frequentemente associada a tumores).

O tratamento deve incluir o acompanhamento de dermatologista e endocrinologista. Para que os medicamentos para reduzir as alterações da pele sejam eficientes, é necessário combater também as doenças associadas. A redução do peso e o controle da diabetes são essenciais para se conseguir melhores resultados de clareamento da pele, redução do prurido e do espessamento.

Sinais x Sintomas

Mar 18, 2008 Author: Renata Pinheiro | Filed under: Diagnóstico

Frequentemente você vai ao médico reclamando dos sintomas que está apresentando. Mas ele pode usar outro termo, falando sobre os sinais da doença. Sinal e sintoma parecem uma coisa só, mas há diferença entre eles:

  • Sinais:  alterações do organismo de uma pessoa que podem ser percebidas através do exame médico ou medidas em exames complementares. Não é necessário que o paciente relate o sinal, pois outra pessoa pode identificá-lo. É uma característica objetiva da doença. Ex.: febre, edema (inchaço), coloração da pele, arritmia.
  • Sintomas: alterações do organismo relatadas pelo próprio paciente, de acordo com sua percepção de sua saúde. Apenas a pessoa consegue identificá-los, não sendo possível outra pessoa diagnosticar. É uma característica subjetiva, pois depende da interpretação do próprio paciente. Ex.: dor, fome ou sede excessiva, fraqueza.

Comunicar ao médico ou outro profissional de saúde todos os sintomas que você percebe facilita o diagnóstico preciso, junto com os sinais que o médico irá avaliar.

O que é síndrome?

Mar 18, 2008 Author: Renata Pinheiro | Filed under: Síndromes

Você já deve ter escutado muitas vezes falar em síndrome. Síndrome de Down, de Asperger, de Estocolmo, de Marfan, de Parkinson, de Peter Pan, de Tourette, do túnel do carpo… Existem várias delas.

Mas você sabe o que é uma síndrome? Síndrome é um conjunto de sinais e sintomas que caracterizam uma doença, ou seja, as características que definem um tipo de doença e a diferencia de outras. Como exemplo, podemos citar a Síndrome de Down: algumas de suas características são prega palmar única, flexibilidade excessiva das articulações e defeitos cardíacos congênitos. Esses últimos são frequentes, porém não determinantes para o diagnóstico da Síndrome de Down. Assim se percebe que esse conjunto de sinais e sintomas não precisa, necessariamente, aparecer por completo, com todas as suas características, em uma só pessoa.

Em geral, como você pode ver nos exemplos do primeiro parágrafo, a síndrome recebe o nome do cientista que a identificou. A Síndrome de Down recebeu esse nome em homenagem ao médico britânico John Langdon Down, que a descreveu em 1866.

Para o diagnóstico correto de uma síndrome, é necessária a pesquisa com consultas e exames complementares. Somente assim o tratamento correto poderá ser iniciado.

A medicina e a fé

Mar 17, 2008 Author: Renata Pinheiro | Filed under: Geral

Muitos cristãos, quando doentes, apegam-se à sua fé e, em nome dela, abandonam tratamentos médicos. Crêem que Deus, apenas Ele, irá curá-los - e creio nisso também. Mas parece que muitas vezes esquecem que Deus pode agir através dos médicos e outros profissionais da saúde. Na Revista Família Cristã de março de 2008 há uma entrevista com Luciana Silva Muniz. Ela é fisioterapeuta e teve uma filha, Letícia, nascida há cinco meses. Durante a gravidez, Luciana descobriu que o bebê tinha um quadro grave de hidrocefalia. Na entrevista, ela afirma: “Tinha certeza de que Deus iria curar minha filha, mesmo que fosse através da intervenção dos médicos.”

Luciana e seu marido, Wilson, pertencem à Igreja da Comunhão Ágape, e são um casal de muita fé. Ainda assim, não deixaram de buscar os tratamentos possíveis para a cura de Letícia. O tratamento iniciou ainda dentro do útero, com duas tentativas de implantar uma válvula para drenar o excesso de líquido no crânio, e mais três punções. O parto foi adiantado e Letícia precisou passar por cirurgias e ficou internada na UTI. Hoje ela é saudável e tem um desenvolvimento como de outros bebês.

Alguma dúvida de que quem a curou foi Deus? Eu não tenho nenhuma. Porém, essa cura foi possível através dos recursos da medicina. E se a família não tivesse feito nenhum tratamento?

A história de Letícia me lembra uma mensagem que recebi pela Internet:

Ajuda de Deus

Em um dia de muita chuva e enchente, um homem se afogava e pedia que Deus o salvasse.
Quando chega uma lancha, o piloto diz:
- Suba na lancha para não se afogar.
O homem responde:
- Não, Deus vai me ajudar.
Um tempo depois, chega um barco e a pessoa do barco diz:
- Venha, moço, suba no barco.
O homem responde:
- Não, Deus vai me ajudar.
Passados mais alguns minutos, chega um helicóptero e o piloto diz:
- Venha, suba na corda.
Mas o homem insiste:
- Não, Deus vai me ajudar.
Um tempo depois, o homem não aguenta e morre afogado. Chegando no céu, ele pergunta para Deus:
- Deus, por que você não me ajudou?
E Deus responde:
- O que você queria mais, eu mandei lancha, barco e até um helicóptero…


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